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Morador de SC cai em golpe internacional de falso estágio e perde R$ 28 mil

Caso foi registrado na Polícia Civil, mas vítima não conseguiu recuperar o dinheiro

Divulgação

Um sonho que virou pesadelo e prejuízo de R$ 28 mil. Um homem de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, caiu em um golpe internacional ao se inscrever para uma suposta vaga de estágio em uma empresa de Londres, na Inglaterra. Quase um ano depois do episódio, ele ainda espera por justiça e tenta se reerguer financeiramente.

Taillon da Luz, 31, começou o ano de 2021 decidido a ter a terceira experiência no exterior. Analista de Marketing, ele queria melhorar o currículo e, de quebra, realizar o sonho de tentar uma nova vida na Europa. Procurou na internet por estágios remunerados em grandes empresas e fez alguns cadastros já em janeiro daquele ano.

Em abril, uma das multinacionais em que ele havia se cadastrado iniciou as etapas burocráticas para contratação. Como Taillon já tinha feito algo semelhante em 2016, quando trabalhou na Letônia, não desconfiou de nada. Os e-mails trocados em inglês com diversos “funcionários” e as exigências completamente comuns, como a de qualquer outro processo seletivo, encheram o analista de esperança.

Entre os pedidos estavam o do envio de valores para custear o aluguel de Taillon na capital inglesa e a alimentação. A libra esterlina, moeda da Inglaterra que atualmente vale seis vezes mais que o real, já era alta à época, o que significou um primeiro envio de mais de R$ 5 mil. Taillon não tinha todo o dinheiro, mas contou com um empréstimo da mãe.

O tratamento da “empresa” com o brasileiro não era o mais cordial, relembra. Ele lembra que as pessoas que falavam com ele eram rudes e a todo momento reforçaram que se as etapas não fossem concluídas no tempo estabelecido, a vaga seria dada a outra pessoa. Taillon teve de remarcar a ida à cidade por conta dos pedidos burocráticos que eram feitos repetidamente.

O seguro viagem tinha um preço alto e, para conseguir pagar, o homem vendeu o carro que tinha por R$ 19 mil, R$ 5 mil abaixo do que valia. Quando já tinha desembolsado R$ 28 mil, entre passagens, alimentação, seguro, roupas e aluguel, e faltavam três dias para a viagem, uma nova exigência: os golpistas pediram R$ 17 mil para finalizar o suposto visto de trabalho. Foi só então que Taillon passou a desconfiar.

Ele entrou em contato diretamente com a empresa, que respondeu que nenhum processo seletivo havia sido iniciado e que se tratava de um golpe. Àquela altura, até a despedida de amigos e familiares já tinha acontecido.

— Foi horrível, eu me senti mal por ter sido enganado. Foi um trauma psicológico e financeiro. Até agora estou devendo cerca de R$ 9 mil para meus pais e uma tia, que me emprestaram dinheiro — conta.

Caso está com a Polícia Civil

Com todo o prejuízo, o analista passou a trabalhar em dois empregos para se recuperar financeiramente. Por meses deixou o desejo de morar em outro país de lado, mas agora já consegue sonhar de novo.

— Só não para Londres — brinca.

Taillon foi à delegacia de Rio do Sul e registrou boletim de ocorrência. Até o momento, ninguém foi identificado. O caso veio à tona depois de uma reportagem da BBC Brasil.

Com informações do NSCTotal

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