Invisível da superfície, a pedra e a força do mar faziam com que embarcações encalhassem e naufragassem na região.
Foto: Acervo Gentil Reynaldo/ Projeto Gentil
Uma formação rochosa submersa localizada em Jaguaruna, no Litoral Sul de Santa Catarina, transformou a região em um verdadeiro “cemitério de navios” e já esteve associada ao naufrágio de pelo menos 72 embarcações ao longo da história. O tema ganhou repercussão nacional em junho de 2023, quando foi destaque do programa Globo Repórter, da TV Globo, ao revelar os riscos escondidos sob as águas da chamada Laje de Jaguaruna.
Conhecida no passado como “Laje do Campo Bom”, a estrutura fica a cerca de 150 metros da costa, em uma área de forte arrebentação e ventos intensos. Segundo historiadores e pesquisadores, a combinação entre a formação rochosa submersa e as condições naturais da região criou, ao longo dos séculos, uma armadilha para navegadores que trafegavam pela chamada “esquina do Atlântico”.
“O número de naufrágios aqui é muito grande. As pesquisas apontam cerca de 72 sinistros nessa região”, explicou, à época, o historiador e arqueólogo Alexandro Demathe. Ele destaca que, além da laje, os ventos empurravam as embarcações em direção à costa. “Muitas delas encalhavam, partiam ao meio e acabavam naufragando”, afirmou.
Mesmo décadas depois, os vestígios desses acidentes ainda podem ser encontrados no fundo do mar. Na Laje de Jaguaruna, por exemplo, permanecem os destroços do navio Guaratinga, que naufragou em 1954 e hoje é considerado um dos principais registros submersos da região, visível apenas para mergulhadores experientes. O mergulhador Daniel Marques, que explora a área há mais de uma década, relatou a dificuldade das condições no local.
“É uma região muito complicada, na arrebentação, onde a onda quebra com força. Quando a gente desce e se depara com os destroços, é um momento impressionante”, contou durante a reportagem exibida em rede nacional.
Além do histórico de tragédias, a formação rochosa abriga hoje um ecossistema diverso, com corais, crustáceos e cardumes de peixes, tornando a área também um ponto de interesse ambiental e científico. A vida marinha se desenvolveu ao redor dos destroços, que passaram a integrar o ambiente natural.
Para receber em tempo real as principais notícias que impactam a nossa região,
entre no grupo de WhatsApp do Sul in Foco clicando aqui.
Para aumentar a segurança da navegação, o oceanógrafo Diego Bitencourt realizou um mapeamento detalhado da região utilizando tecnologia moderna de batimetria. O estudo revelou que a montanha subaquática possui cerca de 1,2 mil metros de comprimento, 900 metros de largura e aproximadamente 30 metros de altura.
“Assim como as montanhas em terra, o fundo do mar também tem relevo, picos e formas. Com esse levantamento, conseguimos atualizar as cartas náuticas e contribuir diretamente para a segurança da navegação”, explicou o oceanógrafo.
Laje de Jaguaruna mapeada. — Foto: Reprodução/Grep