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Operação Chabu: informações de ao menos 5 operações foram vazadas a políticos e empresários

Documentos que também embasaram decreto de prisão temporária do prefeito Gean Loureiro citam uma "sala secreta" de segurança e uma transação financeira suspeita.

Reprodução/NSC

Os documentos da investigação da Operação Chabu, deflagrada na última terça-feira (18), apontam que ao menos outras cinco operações policiais em andamento em Santa Catarina tiveram informações vazadas a políticos e empresários.

Até a manhã desta quinta-feira (20), apenas o empresário José Augusto Alves seguia preso. Todas as sete prisões expedidas foram temporárias. O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, foi preso e liberado ainda na noite de terça-feira depois de prestar depoimento. Também foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão.

De acordo com os documentos, informações sigilosas das operações Alcatraz, Emergência, Blindagem, Falsa Impressão e Ave de Rapina podem ter vazado.

Operação Alcatraz

A Operação Alcatraz, deflagrada em 31 de maio, prendeu 11 pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de fraudes em licitações e contratos. A investigação da Operação Chabu traz que o vazamento teria sido feito por André Luis Mendes da Silveira, delegado da Polícia Civil e ex-Secretário da Segurança Pública do estado.

Para os investigadores, José Augusto Alves teria agido em conluio com André Luis Mendes, repassando informações sigilosas.

Segundo a PF, ele teria procurado o presidente da Alesc a época, deputado Silvio Dreveck, para informar que haveria uma investigação na Polícia Federal envolvendo a empresa Ondrepsb, e que já teria alcançado o ex-deputado Júlio Garcia, “pessoa de grande poder e influência no estado”.

A defesa de André Luís Mendes afirma que ele levou a informação do vazamento de uma operação ao ex-presidente da Alesc, Sílvio Dreveck, para “contribuir com a administração pública”, sem “jamais se envolver com qualquer conduta ilícita”.

Divulgação

Gean

Além da mensagem que o prefeito mandou para manter a mulher de Marcelo Winter, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em um cargo na Secretaria Estadual de Assistência Social, o mesmo documento cita uma “sala secreta” de segurança e uma transação bancária suspeita para o decretar de prisão temporária do prefeito.

No despacho, o desembargador federal Leandro Paulsen afirma que a investigação sustenta que Gean Loureiro seria um dos principais beneficiários do grupo investigado, que vazava informações sigilosas.

O documento fala de um grupo de Whatsapp chamado “Sala Segura”, do qual faziam parte o delegado da Polícia Federal Fernando Caieron, o empresário José Augusto Alves e Luciano Cunha Teixeira, gerente de uma empresa de serviços de inteligencia.

A polícia afirma que as mensagens indicam uma articulação para contrabandear aparelhos de espionagem do Paraguai que seriam usados para equipar uma sala da prefeitura, a pedido de Gean.

Segundo o documento, Luciano Teixeira chegou a alertar no grupo: “Não fala o nome do povo”, logo após Gean ser citado.

O despacho menciona ainda alertas do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, sobre movimentações de dinheiro suspeitas de Gean: a contratação de um seguro e a compra de um carro de R$ 170 mil com dinheiro vivo.

Outro ponto da investigação se refere a Claudio Roberto Bocorny Salgado, empresário responsável pelo Instituto Meta 21, e o possível investimento de um fundo internacional em Florianópolis. A investigação apontou indícios de que o delegado Caieron intermediou o contato entre Gean e e Claudio. E que o delegado aceitou um pedido de José Augusto Alves para levar o prefeito até o SPA que também pertence a Cláudio Roberto.

Segundo o documento, o delegado diz que poderia levar o prefeito “até nas costas”. Claudio Roberto teria afirmado a José Augusto: “quero garantir a reeleição do Gean com muita folga”.

O projeto de investimento, segundo Gean, nunca foi para frente. A partir desses elementos, o desembargador afirma que Gean estaria trocando favores com os envolvidos, se blindando contra investigações e obtendo proveito de ações criminosas.

O outro lado

Gean diz que não tem conhecimento do grupo de Whatsapp chamado “Sala Segura”. “Eu dei meu celular com a senha para a Polícia Federal poder verificar isso. Essa história de ‘Sala Segura’ tá parecendo mais coisa de filme de espionagem. Nunca existiu na prefeitura”.

O prefeito confirmou que o delegado o levou para uma clínica de SPA. “Me convidaram para ir lá, me apresentaram um tratamento de saúde alternativo em função dos meus acidentes através de ondas sonoras. E lá fizeram uma reunião onde foi apresentado o projeto Meta 21, que depois de conhecer descartei porque vi que não tinha realidade”.

Gean ainda diz que não fez o pagamento em dinheiro do carro e tem documentos para provar. “Inclusive eu apresento a quebra do meu sigilo fiscal e apresento meu imposto de renda, que tem todas as documentações”.

Com informações do site G1/SC

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