Segurança

Operação dupla do GAECO mira contratos milionários da Prefeitura de Criciúma

São 36 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e no Paraná; investigações envolvem contratos firmados em 2018.

Foto: MPSC

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina, deflagrou na manhã desta terça-feira (10) duas operações simultâneas que investigam supostos crimes contra a administração pública relacionados a contratos firmados pela Prefeitura de Criciúma em 2018.

Ao todo, estão sendo cumpridos 36 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. As diligências ocorrem em Criciúma, Balneário Rincão, Forquilhinha, Nova Veneza e também em Curitiba, no Paraná.

As operações, batizadas de “Varredura” e “Skyfall”, envolvem o mesmo investigado, um ex-agente político.

A Operação Varredura apura um suposto esquema de fraudes em licitações e contratos de limpeza urbana. Segundo o Ministério Público, há indícios de direcionamento de certames, formação irregular de consórcios, sobreposição de contratos e pagamentos indevidos.

Também são investigados contratos emergenciais que teriam sido celebrados sem justificativa técnica ou jurídica adequada, o que pode ter gerado prejuízos aos cofres públicos.

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Tecnologia e geoprocessamento

Já a Operação Skyfall investiga contratos na área de tecnologia, especialmente serviços de geoprocessamento e soluções cartográficas.

De acordo com as apurações, o ex-agente político investigado teria atuado como sócio oculto de empresa contratada pelo município, mesmo sendo legalmente impedido de participar de licitações ou contratos administrativos. Há indícios de editais com exigências restritivas e possíveis direcionamentos para favorecer empresas específicas.

As investigações também apontam possível uso indevido de recursos da educação básica para custear sistema sem relação direta com a área.

Investigações sob sigilo

O Ministério Público informou que as apurações seguem sob sigilo. Novas informações poderão ser divulgadas conforme houver publicidade dos autos.

Atualização 10/02/2026 às 14:10h

Gaeco cumpre mandados na casa do ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro

Ação integra investigação do Ministério Público que apura possíveis irregularidades em contratos de limpeza pública firmados em 2018, durante o segundo mandato do ex-prefeito.

Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) cumpriram, na manhã desta terça-feira (10), mandados na residência do ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro. A movimentação teve início por volta das 6h15, no bairro Coloninha Zilli, e faz parte da Operação Varredura, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

A investigação apura supostas irregularidades em processos licitatórios relacionados ao serviço de limpeza pública do município no ano de 2018, período correspondente ao segundo governo de Salvaro à frente da prefeitura.

Os agentes permaneceram no imóvel por mais de duas horas. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares e documentos, conforme os procedimentos de praxe. O ex-prefeito foi atendido no local, assim como familiares.

Mesmo após a ação, Clésio Salvaro optou por cumprir normalmente a agenda prevista para o dia. Entre os compromissos, apresentou seu programa diário na Rádio Jovem Pan de Criciúma, das 10h às 11h, mantendo a rotina habitual. Por orientação jurídica, o ex-prefeito não se manifestou publicamente sobre o cumprimento dos mandados.

Figura central da política criciumense nas últimas décadas, Salvaro comandou o município por dois mandatos consecutivos e foi o último prefeito antes da atual gestão de Vaguinho Espíndola. As investigações seguem em andamento sob responsabilidade do Ministério Público, que não divulgou novos detalhes até o momento.

Operação Varredura

A Operação Varredura investiga um suposto esquema estruturado de fraudes em licitações e contratos de limpeza urbana, com indícios de conluio entre empresas concorrentes, formação irregular de consórcios, sobreposição de contratos e pagamentos indevidos.

Segundo o MPSC, as práticas teriam como objetivo frustrar a competitividade das licitações e viabilizar a contratação recorrente de um mesmo grupo empresarial, além da celebração de contratos emergenciais sem respaldo técnico ou jurídico.

Ao todo, 20 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas cidades de Criciúma, Balneário Rincão e Forquilhinha, além de Curitiba. Entre esses mandados, estiveram a busca por documentos também na Prefeitura de Criciúma, no Paço Municipal Marcos Rovaris.

As apurações também apontam possíveis vínculos pessoais, societários e financeiros entre agentes públicos e empresários beneficiados, bem como ocultação da real dinâmica contratual e financeira, com potencial prejuízo aos cofres públicos.

O Sul in Foco entrou em contato com o ex-prefeito de Criciúma, mas não obteve sucesso.

Nota oficial da prefeitura de Criciúma

O Governo de Criciúma informa que os mandados de busca e apreensão de documentos cumpridos na manhã desta terça-feira no Paço Municipal Marcos Rovaris, segundo o Ministério Público de Santa Catarina, dizem respeito a contratos firmados em 2018. A Administração Municipal permanece à disposição para contribuir com as investigações.

 

Foto: MPSC

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