Geral

Pernambuco Rebelde: A Revolução no Estado Nordestino em 1817

Foto – Divulgação

Após a transferência da família real portuguesa para o Brasil em 1808, motivada pela invasão de tropas francesas em Portugal, surgiram insatisfações por parte de alguns grupos nos estados do Brasil, entre eles Pernambuco. O descontentamento era em relação aos altos gastos que o país teve de arcar devido à instalação de uma nova sede do império português no território brasileiro.

Como Pernambuco era na época a capitania mais produtiva e com a maior economia, custeavam grande parte daquilo que era feito pelo governo imperial. Com a instalação da corte portuguesa, os impostos existentes acabaram subindo e outros foram criados para custeio de comida, roupas, festas e tudo o mais necessário para manter a corte portuguesa. Esse fator, juntamente com a influência de ideias iluministas, que estavam sendo propagadas na capitania através de membros da maçonaria, fez com que os pernambucanos se revoltassem contra o governo, exigindo a independência em relação a Portugal e a criação de uma república no país.

Depois de um planejamento, a revolta eclodiu no dia 6 de março de 1817, com a ocupação da capital pernambucana, Recife, e a prisão de Caetano Pinto de Miranda Montenegro, então governador do estado. Liderados pelo comerciante Domingos José Martins e pelo militar José de Barros Lima, apelidado de “Leão Coroado”, os revoltosos conseguiram implantar um governo provisório na capital e tomaram medidas iniciais, como a libertação de presos políticos, a liberdade de imprensa e a redução de impostos.

O religioso pernambucano Joaquim da Silva Rabelo, popularmente conhecido como “Frei Caneca”, bem como aproximadamente outros 70 padres, participaram ativamente da revolução, além de persuadir seus fiéis a apoiarem o movimento. Por conta disso, a revolução também é conhecida por muitos como “Revolta dos Padres”. Com o intuito de instalar uma república no país, os pernambucanos obrigatoriamente buscaram apoio de outros estados, como Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, além de tentarem, sem sucesso, o apoio do governo dos Estados Unidos.

No entanto, a revolta não durou muito tempo, pois D. João VI enviou tropas imperiais para repreender o movimento. O combate entre pernambucanos e as tropas do rei foi violento e constante, resultando na derrota dos revoltosos após 75 dias do início do movimento, em 20 de maio de 1817. Aqueles que não morreram durante as batalhas foram presos e, em sua maioria, condenados posteriormente à pena de morte por enforcamento e esquartejamento.

D. João ainda impôs um castigo à capitania, desmembrando a comarca de Alagoas (até então parte de Pernambuco) para se tornar uma capitania com administração própria, pelo fato de não ter se rebelado contra o governo imperial.

Fonte consultada:

CASTRO, Ligia. Revolução Pernambucana. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/revolucao-pernambucana/. Acesso em: 6 mar. 2025