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Pés descalços, chimarrão na mão e silêncio como guia: quem é Milton Zonta, o novo bispo coadjutor de Criciúma

Em entrevista exclusiva ao Sul In Foco, monsenhor revela curiosidades, hábitos pouco comuns ao cargo e a forma como pretende se aproximar da Diocese.

Imagem: Arquivo pessoal

 

Por Kelley Alves | Sul In Foco

O anúncio de que Monsenhor Milton Zonta será o novo bispo coadjutor de Criciúma chegou sem planejamento prévio ou desejo pessoal. Em entrevista exclusiva ao Sul In Foco, ele relata que a notícia provocou, antes de tudo, surpresa. “Foi um susto enorme”, admite. A função episcopal, segundo conta, nunca esteve entre os objetivos de vida.

“Inicialmente foi um susto enorme. Ser bispo não é algo que eu tenha buscado.”

A identidade, até então, estava ancorada na vida consagrada, inspirada pelas Bem-Aventuranças do Evangelho. Ainda assim, o chamado foi acolhido “com humildade” e com a disposição de assumir um papel de liderança marcado pela comunhão. A intenção é clara: “promover pontes”, não exercer autoridade distante.

A primeira visita a Criciúma, prevista para os próximos dias, já carrega um simbolismo forte. Zonta afirma que pretende chegar de forma simples, “de pés descalços”, para escutar. O foco inicial não será a estrutura da Diocese, mas a história construída ao longo dos anos e, principalmente, as pessoas que mantêm vivas as comunidades. “Encontrar e escutar as pessoas onde estão e como são” é a prioridade.

“Quero chegar de pés descalços para escutar e compreender a história da Igreja de Criciúma.”

Fora das funções religiosas, o cotidiano segue a mesma lógica de simplicidade. O futuro bispo coadjutor cultiva o silêncio, aprecia a leitura, a boa música e o teatro. Também carrega traços fortes da cultura do Sul.

“Gosto de chimarrão, futebol e de provar um bom churrasco com vinho”, conta, revelando um lado pouco associado ao cargo episcopal e que aproxima o discurso da vida comum.

O silêncio, no entanto, não aparece apenas como preferência pessoal. Para Zonta, trata-se de uma necessidade diária. Ele relata que começa os dias em recolhimento, na capela ou no quarto, sustentado pela Eucaristia e pela meditação do Evangelho. Após o almoço, mantém um hábito raro na rotina acelerada atual: a siesta. Um repouso breve, mas fundamental para manter o equilíbrio físico e espiritual.

“Sou uma pessoa de vida simples, que cultiva o silêncio, a leitura, a boa música e o teatro.”

Imagem: Arquivo pessoal

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Mesmo antes da chegada definitiva, a Diocese de Criciúma já desperta curiosidade. Zonta demonstra interesse em compreender a extensão territorial da Igreja local, identificar prioridades pastorais, conhecer as comunidades de vida consagrada presentes na região e entender aspectos da cultura, da religiosidade e da economia. A escuta, mais uma vez, aparece como método.

Ao longo da trajetória sacerdotal, uma aprendizagem se consolidou. Para ele, o que realmente importa não está apenas nas ações visíveis.

“O que mais conta é a vida interior”, afirma.

Entender as motivações e razões por trás das escolhas humanas é, segundo Zonta, mais relevante do que julgar comportamentos.

Essa visão orienta também a forma como enxerga a relação da Igreja com quem se afastou da fé. A missão, diz, é ser “Boa Notícia no mundo”. Isso passa por uma Igreja simples, compassiva e inclusiva, que vá ao encontro de quem sofre. Uma presença que acolhe e cuida, funcionando como “bálsamo” para feridas do corpo e da alma.

Antes mesmo do primeiro encontro presencial com a comunidade católica, Zonta deixa uma mensagem objetiva e pastoral. Três pilares sustentam a vida cristã: fé profunda, vida em comunidade e um coração acolhedor para quem mais sofre. “Ninguém se salva sozinho”, resume, ao lembrar que a Igreja é comunhão e unidade na diversidade. Ele se prepara para assumir oficialmente a missão episcopal no próximo mês de fevereiro.

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