Oito suspeitos foram indiciados; vítima sofreu prejuízo “considerável”, mas valor segue em sigilo
Foto: Divulgação
A Polícia Civil de Criciúma concluiu um inquérito que revelou os bastidores de um esquema ousado: o chamado “golpe do falso assalto”, aplicado contra comerciantes da cidade. O caso terminou com o indiciamento de oito suspeitos pelos crimes de extorsão qualificada, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação da Delegacia de Repressão a Roubos (DRR/DIC), o golpe começava com uma ligação telefônica em tom de terror. Do outro lado da linha, um homem com sotaque carioca afirmava que criminosos armados estavam prontos para invadir o comércio e matar todos no local, caso a vítima não fizesse transferências via PIX. Apavorada, a comerciante seguiu as ordens e realizou diversos pagamentos.
O delegado Yuri Miqueluzzi, responsável pela apuração, confirmou que o prejuízo foi “considerável”, mas ressaltou que o valor não será divulgado a pedido da vítima.
Como funcionava o golpe
- Ameaça inicial: ligação telefônica em que os criminosos se passavam por chefes de quadrilha.
- Pressão psicológica: promessa de invasão armada caso a vítima não pagasse.
- Transferências via PIX: valores enviados em sequência para diferentes contas bancárias.
- “Contas de passagem”: abertas em bancos digitais e encerradas logo depois, para dificultar o rastreio.
- Destino final: os recursos chegavam a integrantes da quadrilha, a maioria com vínculos em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.
As apurações contaram com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), que rastreou a movimentação dos recursos. Um dos indiciados já havia sido preso preventivamente em 2024, no Distrito Federal, por crime semelhante, demonstrando o caráter interestadual da organização.
A Polícia Civil representou pela prisão preventiva de todos os oito suspeitos, alegando que grupos desse tipo tendem a continuar aplicando o golpe, considerado altamente lucrativo. O inquérito segue agora para análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.