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Polícia indicia 8 suspeitos de esquema de desvio de cestas básicas de SC para compra de votos

Segundo investigação, também houve desvio de material de construção destinado às vítimas do 'ciclone-bomba'. Do total de 5 mil cestas básicas que iriam para famílias de Barra Velha, 75% não possuem comprovante.

Foto: Reprodução

A Polícia Civil indiciou oito pessoas por desvio de cestas básicas que deveriam ser entregues a famílias em vulnerabilidade social em Barra Velha, no Litoral Norte catarinense. De acordo com a investigação, cerca de 4 mil cestas que deveriam ser distribuídas por programas assistenciais da prefeitura foram usadas para a compra de votos nas últimas eleições. O inquérito foi finalizado nesta quinta-feira (12).

Os indiciados faziam parte da antiga administração municipal. A atual prefeitura afirmou em nota que, como os fatos ocorreram no mandato anterior, a atual gestão está aguardando a cópia do inquérito para apuração dos fatos e abertura do processo administrativo competente. O município afirmou que tem colaborado com as investigações, fornecendo todos os dados solicitados.

A Polícia Civil não divulgou os nomes dos indiciados. Porém, revelou que quatro deles são ex-funcionários da prefeitura de Barra Velha , entre eles um ex-secretário municipal que atuava na gestão anterior.

Outros três suspeitos eram candidatos à Câmara de Vereadores do município, um deles buscava a reeleição em 2020. Também há um cabo eleitoral que trabalhava na campanha de reeleição do então prefeito.

“Eles vão responder pelo crime de peculato, que corresponde ali ao desvio da cesta básica contra um bem público da prefeitura; e pelo crime de corrupção eleitoral, que corresponde ali à suposta compra de votos a partir dessa distribuição de cestas básicas”, afirmou o delegado Eduardo Ferraz.

Investigação

As investigações mostraram que documentos falsificados fraudavam a distribuição das cestas básicas, já que, na verdade, eram desviadas.

As cestas que não foram entregues foram encontradas em 13 de novembro de 2020, ou seja, a dois dias do primeiro turno das eleições municipais daquele ano.

“A partir da gente constatar esse descontrole nessa distribuição das cestas básicas, passamos a fazer oitivas de funcionários e pessoas que trabalhavam nesse procedimento de distribuição e ficou demonstrado que havia o desvio dessas cestas básicas por alguns candidatos a vereador e por alguns funcionários internos da prefeitura. De acordo com as investigações, aparentemente esses desvios de cestas básicas foram destinados à compra de votos nas eleições”, afirmou o delegado Eduardo Ferraz.

A polícia conseguiu mapear quase 5 mil cestas básicas, que deveriam ter sido destinadas a pessoas devidamente cadastradas e aptas a recebê-las. Mas 75% delas sumiram, ou seja, não possuem nenhum comprovante de entrega ou de recebimento. São quase 4 mil cestas básicas que não se sabe para quem foram entregues.

“A gente começou a fazer uma investigação sobre todo o procedimento de distribuição de cestas básicas ali na prefeitura. E o que a gente percebeu inicialmente é que existia um completo descontrole dessa distribuição de cestas básicas. Existe um procedimento previsto, em que há uma análise técnica da distribuição destas cestas a quem seriam os reais beneficiários, os reais necessitados da prefeitura, os cidadãos ali com baixa renda, com necessidade. E o que a gente percebeu é que não havia um efetivo controle”, disse o delegado.

Outras ilegalidades

Os desvios não ocorreram só com cestas básicas. A polícia também identificou uma suspeita de desvio de telhas, lonas e materiais de construção que foram enviados para o município de Barra Velha para auxiliar vítimas do “ciclone-bomba”, que atingiu Santa Catarina em junho de 2020.

Enquanto as doações deixavam de chegar a quem precisava, os investigados riam do inquérito. A polícia confirmou a veracidade dos áudios.

Com informações do G1

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