Saúde

Preconceito impede que tratamento de doenças com Cannabis medicinal se torne acessível

Para quebrar tabus e falar sobre os benefícios do uso terapêutico dos derivados da maconha, o Simpósio Multidisciplinar de Cannabis Medicinal será realizado por universidades da região.

Foto: Divulgação

Imagine que você ou um familiar tenha uma doença e que haja um único medicamento capaz de tratá-la e proporcionar qualidade de vida. Contudo, o preconceito e o tabu dificultam o acesso a ele, apesar de a ciência já ter comprovado os seus benefícios há bastante tempo. Isso é o que ocorre com a Cannabis medicinal. Apesar de a produção e comercialização ter sido autorizada no Brasil, o fato de a matéria-prima (popularmente conhecida por maconha) ser importada, faz com que o produto custe entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil.

Com o propósito de estabelecer uma conversa esclarecedora sobre os benefícios medicinais da Cannabis e também quebrar o tabu do significado desta planta à sociedade, o Simpósio Multidisciplinar de Cannabis Medicinal será promovido entre 27 de setembro e 1º de outubro de forma on-line, com transmissão pelo Youtube, e gratuita. Serão cinco dias de evento, com 10 palestrantes de renome no Brasil. A realização é da Unisul, da Unesc e da Univali, que contam com apoiadores e patrocinadores parceiros.

Benefícios

Conforme o Prof. Dr. Rafael Mariano de Bitencourt (UNISUL), neurocientista e pesquisador na área de canabinoides desde 2005, a Cannabis possui mais de 100 fitocanabinoides, que são as moléculas terapêuticas presentes na planta. “O canabidiol (CBD), por exemplo, é um deles, que pode ser isolado, tirado da planta, e tem benefícios terapêuticos, podendo ser usado para ansiedade. Em muitas situações, ele sozinho não dá conta. É necessário todos os fitocanabinoides juntos, ou seja, todo o arsenal que está dentro da planta”, explicou.

“Em algumas situações, o equilíbrio entre o THC e o cannabidiol é suficiente para doenças neurodegenerativas, como o Parkinson, vários tipos de epilepsia, fibromialgia, depressão. Para algumas situações, como dores crônicas e dores neuropáticas, será necessário mais THC. Então, a Cannabis, como um todo, é medicinal e, além destes benefícios, existem muito mais. Hoje, a principal utilização é para crises epilépticas refratárias, para as quais os medicamentos convencionais não demonstram eficiência. Há ainda uma utilização já bastante difundida para o tratamento de doenças como o transtorno de espectro autista, e doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer”, acrescentou.

Foto: www.drapauladallstella.com.br

Por que debater o tema?

O neurocientista defende que a desinformação e o preconceito se combatem com o conhecimento, sendo, então, essencial que o tema seja debatido. “As pessoas têm acesso a poucas informações de fontes confiáveis sobre Cannabis medicinal. No geral, elas recebem informações erradas e há muito preconceito. Há pessoas que só por ouvir que algo vem da Cannabis, já se dizem contra, independentemente do contexto – mesmo se é a única coisa que pode ajudar contra uma dor crônica ou se a criança tem 30 convulsões por dia que podem levar ela a morte”, apontou.

Dessa forma, o simpósio se coloca como fonte confiável e acessível. “A escuridão da ignorância, a gente ilumina com conhecimento. Então teremos duas mães compartilhando a experiência delas. Elas são protagonistas de um documentário chamado ‘Ilegal – a vida não espera’ [assista aqui], que mudou a história da Cannabis medicinal no Brasil a partir de 2015. Vamos contar também com a participação de neurocientistas, jornalista, advogado, psiquiatra. Ou seja, será uma discussão muito qualificada e completa”.

“Ilegal – A vida não espera” retrata pessoas em busca de tratamento, em uma batalha contra a legislação brasileira – Foto: Divulgação

Mudanças na prática

Prof. Dr. Rafael Mariano de Bitencourt reforça que o caminho para as políticas públicas que possibilitem que o medicamento seja mais acessível passa pelo anseio da população. “As políticas públicas acontecem muito em resposta a movimentos da sociedade. Então, hoje, se tem toda essa dificuldade na legislação, em produzir medicamentos no Brasil, se tem que importar e uma série de outros fatores que acabam dificultando o acesso dos pacientes aos medicamentos, é porque a nossa legislação não permite que isso aconteça”, destacou.

“A maior parte da população ainda tem um olhar enviesado, um olhar contrário, aí as coisas não andam. A partir do momento em que começa a haver uma demanda do povo, vai mudando também as políticas públicas. Hoje temos medicamentos à base de Cannabis produzidos no Brasil. Tem que importar matéria-prima, já que é proibido plantar aqui e isso é um grande problema. Se o médico der a receita, tem na farmácia para vender, e isso já é um grande avanço. Isso não aconteceu devido ao conhecimento científico, infelizmente, já que a ciência já vem falando disso há bastante tempo. Isso aconteceu graças aos movimentos da sociedade, sobretudo, pais de crianças com epilepsia, que começaram a exigir que os filhos pudessem ser tratados com o único medicamento que funcionava para eles. Através dessa luta, começaram a mudar diversas questões. Por isso, o simpósio é tão importante”, concluiu.

Foto: Divulgação

Confira a programação do evento

1º Dia – 27/09 – Segunda Feira
Cannabis: da droga ilícita à planta companheira.
19h: Abertura do simpósio, homenagem ao Prof. Carlini e apresentação dos palestrantes.
19h30: Palestrante: Jornalista Denis Russo Burgierman
20h10: Palestrante: Prof. Dr. Sidarta Ribeiro.
20h50: Bate-papo com os palestrantes.
21h30: Encerramento.

2º Dia – 28/09 – Terça-Feira
Cannabis: A descoberta do sistema endocanabinoide e seu potencial terapêutico no tratamento da dependência.
19h: Atividades iniciais e apresentação dos palestrantes.
19h30: Palestrante – Prof. Dr. Renato Filev.
20h10: Palestrante – Prof. Dr. Dartiu Xavier.
20h50: Bate-papo com os palestrantes.
21h30: Encerramento.

3º Dia – 29/09 – Quarta-Feira
Empreendedorismo canábico: da medicina personalizada à prática clínica.
19h: Atividades iniciais e apresentação dos palestrantes.
19h30: Palestrante – Dr. Fabrício Pamplona.
20h10: Palestrante – Dra. Paula Dall Stella.
20h50: Bate-papo com os palestrantes.
21h30: Encerramento.

4º Dia – 30/09 – Quinta-Feira
Mães na luta pela Cannabis Medicinal: uma revolução através do amor.
19h: Vídeo homenagem aos pacientes/associações e apresentação dos palestrantes.
19h30: Palestrante – Margarete Brito.
20h10: Palestrante – Katiele de Bortoli Fischer.
20h50: Bate-papo com os palestrantes.
21h30: Encerramento.

5º Dia – 01/10 – Sexta-Feira
Cannabis na justiça: das conquistas jurídicas ao aproveitamento para fins medicinais de material apreendido.
19h: Atividades iniciais e apresentação dos palestrantes.
19h30: Palestrante – Advogado Emilio Figueiredo.
20h10: Palestrante – Profª. Drª. Patrícia de Aguiar Amaral.
20h50: Bate-papo com os palestrantes.
21h30: Encerramento.

Além da transmissão pelo canal no Youtube, haverá também lives no perfil do Instagram. Para obter o certificado, que é opcional, basta pagar o valor de R$ 29,90. Além disso, os pagantes terão direito a participar de sorteios de brindes e acesso a atividades exclusivas. O valor será revertido em prol de pesquisas a respeito da Cannabis medicinal. Fique por dentro de todos os detalhes do evento através do site www.simposiocannabis.com.br ou do Instagram.com/simposio.cannabis.

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