Tradição popular resiste ao tempo e continua presente nos bastidores políticos da região carbonífera.
Foto: Divulgação
Ainda falta muito para as próximas eleições municipais, mas no Sul de Santa Catarina já tem político “plantando” previsão. Literalmente. Enquanto alguns prefeitos analisam números e contratam institutos de pesquisa, outros seguem apostando em um método mais rústico, e, segundo eles, muito mais certeiro: o broto da bananeira.
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A chamada “pesquisa da bananeira” é uma tradição antiga que atravessa gerações. O ritual funciona quando dois brotos são cortados do mesmo tamanho e batizados, cada um, com o nome de um candidato (ou time de futebol). Depois é só observar qual cresce mais rápido. O broto que se destaca é, segundo a crença popular, o vencedor.
O presidente da Amrec e prefeito de Lauro Müller, Valdir Fontanella, garante que a tradição ainda dá resultado, e fala com a convicção de quem já testou. “Na última eleição eram três candidatos. O meu nome ficou no broto mais alto e foi exatamente assim nas urnas”, contou. Fontanella lembra que, mesmo com uma campanha acirrada, o resultado apontado pela bananeira acabou se confirmando. “Essas crenças dos antigos têm alguma coisa de verdade. Tudo o que foi feito a favor da nossa chapa deu certo”, completou, entre risos.
Quem também mantém a simpatia viva é o prefeito de Cocal do Sul, Ademir Magagnin, que aprendeu o costume ainda na infância.
“Desde criança a gente fazia isso, até na Copa de 1970. A gente corta os brotos, coloca o nome dos times e vai medindo. E o broto indica quem vai vencer”, contou. Mais recentemente, Magagnin resolveu colocar a tradição à prova em um jogo do Criciúma contra o América-MG, pela Série B do Brasileirão, realizado no Heriberto Hülse, em Criciúma. E não é que o broto acertou de novo? O Tigre venceu por 2 a 1, em uma partida equilibrada e decidida nos minutos finais. “Fotografei, registrei tudo… e o broto acertou mais uma vez”, revelou, rindo.
Segundo ele, o método também serve para política e com alto índice de acerto.
“Na minha eleição passada, o resultado eu já sabia uma hora antes de terminar a apuração. O broto deu vitória pra nós, e deu certo de novo”, relembrou.
Outros gestores da região confirmam que o costume ainda circula pelos bastidores políticos. A prefeita de Nova Veneza, Ângela Ghislandi, diz que “não chegou a fazer, mas já presenciou algumas dessas pesquisas verdes”. Já a prefeita de Urussanga, Stela Talamini, garante que testou a simpatia e que o resultado “bateu com o das urnas”.