Com afeto e empatia, Moana leva alívio e acolhimento a quem enfrenta momentos difíceis no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres
Foto: Vitória Marques Bittencourt, HNSP
Um focinho atento, o rabo balançando e uma presença que vai além do simples ato de visitar. Assim é Moana, a cadela terapeuta que tem feito a diferença na rotina do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres (HNSP), em Lages, na Serra Catarinense. Integrante do projeto de Cão Terapia, retomado recentemente na instituição, Moana visita quinzenalmente os pacientes levando carinho, acolhimento e uma pausa de leveza em meio aos desafios da internação.
A ação faz parte da política de humanização do hospital e é desenvolvida com todo o cuidado necessário, incluindo a liberação médica para cada visita. De acordo com a psicóloga Helena Cristina da Silva, uma das responsáveis pelo projeto, a presença da cadela tem um impacto direto no estado emocional de pacientes, acompanhantes e até dos profissionais da saúde.
“É impressionante como a Moana transforma o ambiente. Pacientes acamados há dias ou semanas ganham um brilho nos olhos, a ansiedade diminui, e o clima muda. Até quem nunca teve contato com animais sente a diferença”, destaca Helena.
Um momento de respiro em meio à dor
O Morro do Cambirela, com mais de 1.000 metros de altitude, é conhecido por suas trilhas desafiadoras, que exigem bom preparo físico, planejamento e uso de equipamentos adequados. O CBMSC aproveitou a ocorrência para reforçar a importância de medidas preventivas em trilhas e atividades em áreas de montanha: comunicar familiares ou amigos sobre o trajeto, utilizar calçados apropriados, portar água, alimentos, meios de comunicação e, sempre que possível, estar acompanhado de guias ou grupos experientes.
Em uma dessas visitas, a cadela entra nos quartos silenciosamente, com autorização médica, e o simples gesto de um afago ou uma troca de olhares com os pacientes já é capaz de trazer conforto. “Recebemos pedidos de profissionais perguntando quando será a próxima visita. Isso mostra que o impacto dela vai muito além dos leitos”, conta a psicóloga.
Segurança em primeiro lugar
A cada visita, uma rotina cuidadosa é seguida à risca. Moana é acompanhada por sua tutora, a psicopedagoga Giselle Dias, especialista em Intervenções Assistidas por Animais. A cadela tem vacinação em dia, passa por desverminação regular e toma banho antes e depois de cada visita. Ela só entra em ambientes liberados por médicos, e os pacientes têm as mãos higienizadas durante a interação. “Tudo é pensado para garantir segurança para todos, inclusive para a própria Moana”, explica Daniane Rodrigues de Farias, do Serviço de Controle de Infecções do HNSP.
Mais que terapia, uma história de inclusão
Moana não é uma cadela terapeuta qualquer. Sua história começou durante a pandemia, quando Giselle, que está no espectro autista, buscava um novo propósito. “Eu queria uma cadela que, assim como eu, fosse vista além dos rótulos”, diz. Por isso, escolheu uma American Staffordshire Terrier — raça que ainda sofre com preconceitos.
“Enquanto muitos apostam em labradores e goldens, eu queria mostrar que qualquer ser pode surpreender, se for acolhido da forma certa. Moana passou por todas as etapas da formação, foi desacreditada, mas chegou até o fim — e venceu”, emociona-se Giselle.
Emoções que ficam para sempre
Desde que começou a atuar no hospital, Moana coleciona histórias emocionantes. Giselle lembra de um paciente veterinário que não conseguia realizar uma cirurgia cardíaca por causa da pressão alta. “Ele brincou com a Moana, escreveu no colete dela um desejo: ‘Quero te ver de novo’. E conseguiu fazer a cirurgia no dia seguinte”, relembra.
Após a alta, muitos pacientes continuam acompanhando a cadela nas redes sociais, mandam mensagens e relembram o quanto sua visita fez diferença.
Para Giselle, o projeto vai muito além da terapia. “A Moana representa inclusão, afeto, superação. Cada sorriso que ela arranca é uma prova de que o cuidado emocional também salva. E ela é, sem dúvida, uma terapeuta de quatro patas com um coração gigante.”