Planos analisados pelo SulinFoco trazem projeção de R$ 40,5 bilhões para investimentos, redução de gastos e uma série de propostas que ainda não têm valor definido.
Foto: Reprodução / SulinFoco
Quanto custam as promessas dos candidatos ao Governo de Santa Catarina? Nem sempre é possível saber pelos planos apresentados para os próximos quatro anos.
O Sul In Foco analisou os documentos de Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD) e Marcelo Brigadeiro (Missão) em busca de valores, percentuais e prazos. Enquanto um dos planos apresenta uma projeção bilionária de investimentos, outros trazem metas e programas sem dizer quanto será necessário para colocá-los em prática.
João Rodrigues projeta R$ 40,5 bilhões
João Rodrigues propõe reservar pelo menos 15% da Receita Corrente Líquida (RCL) do Estado para investimentos.
O próprio plano estima uma receita de R$ 60 bilhões em 2027, R$ 65 bilhões em 2028, R$ 70 bilhões em 2029 e R$ 75 bilhões em 2030. Com 15% destinados a investimentos, seriam R$ 40,5 bilhões ao longo dos quatro anos.
O valor não está disponível hoje. É uma projeção que depende do crescimento da arrecadação previsto pelo próprio documento. O dinheiro seria usado em diferentes áreas do Estado, sem uma divisão específica de quanto caberia a saúde, educação, segurança ou infraestrutura.
Além dos recursos próprios, o plano prevê buscar verbas da União, financiamentos e participação da iniciativa privada por meio de PPPs e concessões.
Brigadeiro prevê redução de gastos
Marcelo Brigadeiro não informa quanto pretende investir no total durante os quatro anos, mas apresenta metas para reduzir despesas do Estado.
O plano prevê diminuir em 25% o número de cargos comissionados e reduzir gradualmente as despesas e custos administrativos, começando por 10%. Não há uma estimativa de quanto essas medidas representariam em economia para os cofres públicos.
Outra proposta é vender a área da Casa d’Agronômica e usar o dinheiro no projeto de PPP do Complexo Hospitalar de Santa Catarina. O documento não informa quanto espera arrecadar com a venda.
Brigadeiro também estabelece alguns prazos. Na educação, promete levar o ensino em tempo integral a todas as escolas estaduais até 2030. Na saúde, propõe que qualquer cirurgia indicada pelo SUS estadual seja realizada em até 60 dias, inclusive com contratação complementar da rede privada.
Na economia, estão entre as propostas criar o Juro Zero para micro e pequenos empreendedores e reduzir a carga tributária. O plano, porém, não informa quanto será disponibilizado em crédito nem quais impostos seriam reduzidos ou em qual percentual.
O documento também propõe privatizar Celesc e Casan e ampliar PPPs e concessões. Não apresenta uma estimativa de valores para as privatizações.
Jorginho promete ampliar programas, mas sem novas cifras
O plano de Jorginho Mello tem uma característica diferente: apresenta vários números da atual gestão antes de detalhar as propostas para 2027 a 2030.
No Pronampe SC, por exemplo, o documento informa que o programa já investiu mais de R$ 500 milhões em crédito subsidiado. Para um novo mandato, a proposta é ampliar as linhas para micro e pequenas empresas, MEIs e agricultores, mas não há um novo valor definido.
Também aparecem mais de R$ 5 bilhões no Estrada Boa para recuperar e modernizar 3,5 mil quilômetros de rodovias. O número é apresentado como resultado da gestão atual. Para os próximos quatro anos, Jorginho promete continuar as obras de pavimentação, restauração e duplicação e acelerar a Viamar, sem indicar quanto pretende investir nessa nova etapa.
Na habitação, a proposta é ampliar o Casa Catarina para chegar aos 295 municípios. Na saúde, Jorginho promete manter o custeio dos mais de 300 leitos de UTI que, segundo o plano, foram abertos durante a atual gestão e continuar expandindo a rede hospitalar. Os valores para essas próximas etapas não são informados.
O preço de muitas propostas ainda não aparece
A comparação exige cuidado porque os números apresentados pelos candidatos não representam a mesma coisa.
Os R$ 40,5 bilhões de João Rodrigues são uma projeção de recursos próprios para investimentos entre 2027 e 2030. Os 25% e 10% de Brigadeiro são metas de redução de cargos e despesas. Já os mais de R$ 5 bilhões do Estrada Boa e R$ 500 milhões do Pronampe citados por Jorginho são apresentados como resultados da atual gestão, e não como dinheiro reservado para os próximos quatro anos.