Acidente aconteceu na noite de 15 de agosto de 1997, no Jardim Elizabeth, matou piloto e copiloto e assustou moradores de toda a região.
Arquivo Cocal do Sul
Quem vivia em Cocal do Sul em 1997 dificilmente esqueceu a noite de 15 de agosto. Por volta das 19h30, o barulho de uma forte explosão assustou moradores do município e de cidades vizinhas. Neste sábado (15), o episódio que marcou a história da cidade completou 29 anos.
Entre as pessoas que acompanharam de perto a movimentação naquela noite estava o atual prefeito de Cocal do Sul, Ademir Magagnin. Na época, ele integrava uma equipe que acompanhava trabalhos de pavimentação realizados durante a administração municipal e participava de uma reunião quando recebeu a notícia da queda.
“Estávamos em uma reunião de trabalho, tratando de obras, quando veio a notícia de que um avião havia caído. Foi tudo muito rápido. Fomos até o local e já havia muita gente, além da polícia, que começou a cercar a área”, relembra Magagnin.
Minutos antes, um avião havia se partido ainda no ar e caído no quintal de uma residência no bairro Jardim Elizabeth, a cerca de dois quilômetros do Centro. Testemunhas relataram um clarão no céu e partes da aeronave caindo em chamas.
Magagnin lembra que uma das cenas que mais chamou a atenção foi a forma como a aeronave atingiu o terreno, muito próxima de uma casa. “O avião caiu de forma praticamente vertical. Existiam árvores no entorno e não havia aquele rastro de árvores atingidas. Ele caiu muito próximo de uma residência. Foi uma coisa muito rápida e assustadora”, relembra.
O avião era um Cessna 550 Citation II, prefixo PT-LML, da Riana Táxi Aéreo. A aeronave havia decolado pouco antes do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), com destino ao Rio de Janeiro. Morreram o piloto Fabiano José Gonçalves, de 40 anos, e o copiloto Fernando Piccin, de 28. Não havia passageiros a bordo.
Segundo informações divulgadas na época pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), o avião retornava ao Rio depois de ter levado um grupo de passageiros até Porto Alegre. Na volta, transportava malotes com dinheiro e documentos do Banco do Brasil. A Polícia Militar informou que os malotes não foram encontrados no local.
Quando os bombeiros chegaram, cerca de cinco minutos após a explosão, ainda havia fogo em partes da fuselagem. Os corpos dos dois tripulantes, carbonizados, foram encontrados próximos à cabine. Apesar de os destroços terem atingido uma área residencial, não houve vítimas em solo.
O que apontou a investigação
A investigação foi prejudicada pela falta de gravações das conversas na cabine e dos dados do voo. Segundo o relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a hipótese mais provável é de que o seletor de pressurização tenha permanecido desligado após a saída de Porto Alegre.
Com a cabine despressurizada, os pilotos podem ter perdido a consciência. O Cenipa considerou a possibilidade de que um deles tenha recobrado os sentidos durante a descida e tentado estabilizar o avião, acionando o speed brake e baixando o trem de pouso.
A aeronave, no entanto, continuou em rápida descida até se desintegrar ainda no ar, a aproximadamente 1.500 pés sobre Cocal do Sul. Foi nesse momento que ocorreu o forte estrondo ouvido em diferentes pontos da região.
Arquivo Cocal do Sul
Problemas mecânicos foram discutidos na Justiça
Anos depois, a família de Fernando Piccin entrou com uma ação contra a Riana Táxi Aéreo. No processo, alegou que o avião apresentava problemas mecânicos havia cerca de quatro meses, incluindo superaquecimento da turbina direita.
A empresa e a seguradora sustentaram que a aeronave havia passado por uma revisão quatro dias antes do acidente e estava em condições de voo. As partes posteriormente chegaram a um acordo para pagamento de indenização.
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Arquivo Cocal do Sul