Saiba o que está por trás da crise que abalou rede com 70 anos de história, que enfrenta fase financeira mais difícil
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Quem entrou recentemente em uma das lojas Althoff, em Criciúma ou outras cidades do Sul catarinense, percebeu sinais claros de uma fase crítica. Prateleiras continuam com espaços vazios e o movimento ainda é menor do que o habitual. É o retrato de uma empresa tradicional tentando se reorganizar.
Desde agosto, a rede Althoff Supermercados está em recuperação judicial, decisão autorizada pela Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Capital. O processo abrange 10 lojas em operação e busca dar fôlego a uma marca que atravessou uma das fases mais delicadas da história.
De acordo com o vice-presidente da empresa, Ricardo Althoff, a situação foi agravada por disputas societárias, juros elevados e o avanço da concorrência, “fatores que pressionaram as finanças e limitaram a capacidade de crédito”, segundo ele.
“O que permitiu a retomada foi o acesso a novas linhas de financiamento”
Em entrevista ao Sul In Foco, Ricardo explicou que o processo segue em andamento, mas que a empresa começa a ganhar fôlego com novas linhas de financiamento em condições mais favoráveis.
“O que permitiu a retomada foi o acesso a crédito mais equilibrado, o que nos deu espaço para reorganizar o caixa e honrar compromissos. O que não muda é o foco nos clientes e em suas necessidades”, garantiu.
Segundo o dirigente, o grupo tem concentrado esforços na reorganização interna, com revisão de custos, renegociação com fornecedores e ajustes operacionais. O objetivo é restabelecer gradualmente a confiança no mercado e garantir a continuidade das operações.
Nos bastidores, o sentimento é de cautela. A direção evita falar em “risco de fechar as portas”, mas aposta em estabilidade e transparência para reconstruir as relações com credores, parceiros e consumidores.
Fundado em 1952, o Althoff Supermercados é um dos nomes mais conhecidos do varejo alimentar do Sul de Santa Catarina. A rede está em cidades como Criciúma, Urussanga, Orleans, Laguna e Cocal do Sul, entre outras.
Mesmo em recuperação judicial, o grupo reforça o compromisso de manter empregos e preservar as lojas abertas.
“Estamos construindo, com diálogo e responsabilidade, um caminho sustentável. Quem acredita na nossa marca e no nosso time vai atravessar esse momento conosco”, conclui Ricardo Althoff.