Ao todo, foram R$ 40 milhões em bens sequestrados por determinação judicial, incluindo uma casa de um dos investigados em um condomínio fechado. PF cumpre mandados em SC, GO e CE.
Foto: PF
A Polícia Federal está em operação nesta terça-feira (27), cumprindo dez mandados de busca e apreensão em uma investigação que visa desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos de crimes praticados no exterior, utilizando criptomoedas. A ação abrange seis mandados em Florianópolis, dois em Goiânia (GO) e dois em Eusébio (CE).
Segundo a PF, a investigação se concentra em uma associação criminosa composta por russos previamente condenados em seu país de origem, juntamente com indivíduos brasileiros, responsáveis pela lavagem dos recursos. O total de bens apreendidos por determinação judicial é estimado em R$ 40 milhões, incluindo uma residência de um dos russos em um condomínio de alto padrão no Ceará, avaliada em R$ 10 milhões. Durante a operação, foram apreendidos US$ 223,9 mil e R$ 55 mil no local.
Os alvos principais da operação são dois russos, um residindo em Florianópolis (SC) e outro em Fortaleza (CE). Um deles foi condenado em 2015 a 3 anos e 6 meses por fraude, enquanto o segundo recebeu uma sentença de 10 meses por roubo no mesmo ano, ambos em seus respectivos locais de origem.
De acordo com o delegado Cleo Matusiak Mazzotti, as investigações começaram após a suspeita de que os russos fixaram residência em Florianópolis para usufruir dos recursos de crimes cometidos em seu país de origem, adquirindo bens de luxo e ostentando um estilo de vida extravagante.
Após estabelecerem-se no Brasil, os suspeitos passaram a integrar empresas e adquirir bens móveis e imóveis, muitos deles com pagamentos volumosos em espécie.
Como parte das medidas adotadas, houve o sequestro de bens, bloqueio de contas bancárias e de contas em exchanges de criptomoedas. Além disso, os quatro principais investigados terão seus dispositivos eletrônicos monitorados e estarão proibidos de deixar o país ou realizar transações de criptoativos.
A investigação revelou que a lavagem de dinheiro era operacionalizada por brasileiros utilizando empresas sediadas em Goiás, com as transações financeiras realizadas por meio de criptomoedas, convertidas em moeda nacional para transferência aos envolvidos estrangeiros, suas famílias e empresas. Esses recursos eram então utilizados para a aquisição de bens de luxo, como imóveis e automóveis.
Os nomes dos principais investigados não foram divulgados.