Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a expectativa é vacinar cerca de 49 mil crianças em todo o estado com a Dose Zero
Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil
Santa Catarina deu início, neste mês de junho, à aplicação da chamada “Dose Zero” da vacina contra o sarampo em crianças de 6 meses até 11 meses e 29 dias. A medida segue recomendação do Ministério da Saúde, que orienta estados e municípios a reforçarem a proteção infantil diante do risco crescente de reintrodução do vírus no Brasil.
Essa dose adicional, aplicada antes das previstas no calendário vacinal (aos 12 e 15 meses), tem caráter preventivo. O objetivo é proteger precocemente um grupo etário mais vulnerável a formas graves da doença, como pneumonias e encefalite.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a expectativa é vacinar cerca de 49 mil crianças em todo o estado com a Dose Zero. A tríplice viral — que protege contra sarampo, rubéola e caxumba — segue normalmente no esquema vacinal de rotina, e a Dose Zero não substitui essas aplicações obrigatórias.
Cresce o alerta nas Américas
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), os primeiros meses de 2025 já registraram mais de 2.300 casos de sarampo nas Américas, com quatro mortes confirmadas — um salto expressivo em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 205 infecções foram notificadas.
Embora o Brasil ainda seja considerado uma área livre de circulação endêmica do vírus, a proximidade com países que enfrentam surtos eleva o risco de reintrodução.
— Apesar de não termos casos registrados em Santa Catarina desde 2020, reforçamos a vigilância e as ações de bloqueio vacinal para evitar qualquer chance de reintrodução do vírus no estado — destaca Ariele Fialho, gerente de imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive/SC).
Segundo Fialho, sinais como febre e manchas vermelhas acompanhadas de tosse, coriza ou conjuntivite devem ser investigados, especialmente em pessoas que viajaram ao exterior ou tiveram contato com viajantes.
Municípios prioritários e abrangência
A recomendação do Ministério da Saúde inclui, como prioridade, os municípios catarinenses de fronteira com a Argentina (como Dionísio Cerqueira e São Miguel do Oeste), além de cidades turísticas, universitárias e litorâneas com grande circulação de pessoas — como Florianópolis, Joinville, Balneário Camboriú, Blumenau, Itajaí, entre outras.
Mesmo assim, a Dive/SC já orientou os 295 municípios de Santa Catarina a iniciarem a aplicação da Dose Zero. As vacinas estão disponíveis nas unidades básicas de saúde e é essencial apresentar a caderneta de vacinação da criança.
— A Dose Zero é uma ação estratégica em momentos de risco epidemiológico. Ela antecipa a proteção de bebês que ainda não têm idade para a primeira dose oficial. Além disso, é usada como bloqueio em contatos com casos suspeitos — reforça Fialho.
Capital catarinense inicia aplicação
Florianópolis já começou a aplicar a Dose Zero. Crianças de 6 a 8 meses estão sendo atendidas em 14 centros de saúde de referência na Capital. Já aquelas com 9 a 11 meses podem receber a vacina em todas as unidades de saúde do município, além do Espaço Imuniza Floripa (na Policlínica da Mulher e da Criança) e da Van Imunizar, veículo móvel da prefeitura que leva imunização a diversos bairros.
— O sarampo pode voltar a circular se baixarmos a guarda. A vacinação é a forma mais segura e eficaz de impedir que essa doença grave volte a representar ameaça à saúde pública — alerta o secretário de Saúde de Florianópolis, Almir Gentil.
Cobertura vacinal em alta
Santa Catarina vem mantendo índices elevados de cobertura da tríplice viral: em 2024, o estado alcançou 96,80% de vacinação entre crianças de um ano. Nos primeiros meses de 2025, esse número está em 93,23%, segundo dados da SES.
A aplicação da Dose Zero chega, portanto, como uma medida adicional para garantir que o vírus continue longe do estado — e que a saúde das crianças siga protegida.