Educação

SATC é pioneira ao olhar pro futuro por meio da captura de CO2

Projeto com investimentos milionários dá vantagem à instituição na corrida tecnológica pela diminuição do gás do efeito estufa e posiciona carvão como fonte de energia limpa.

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A corrida tecnológica pela diminuição dos gases do efeito estufa ocorre globalmente, já que esta é uma das importantes e urgentes metas internacionais existentes. No que diz respeito ao dióxido de carbono (CO2), por se tratar do gás que mais contribui para o aquecimento global, é essencial evitar sua alta concentração.

Como consequências diretas, estão o desequilíbrio do clima por meio do aumento das médias de temperatura e o desequilíbrio do pH da água, o que a torna mais ácida. Em Criciúma, a Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC) saiu na frente, já no ano de 2012, tornando-se pioneira. Ao unir educação, pesquisa e tecnologia, tem alcançado resultados satisfatórios com o trabalho desenvolvido no Centro Tecnológico Satc (CTSatc).

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“A direção da SATC entendeu que a captura de CO2 é pré-requisito para o setor continuar operando, desenvolvendo e gerando energia. O futuro do setor passa pela captura de CO2”, ressalta o doutor em Engenharia Química, professor na UniSatc e pesquisador do Centro Tecnológico Satc, Thiago Fernandes de Aquino.

Desde 2007, a SATC possui um acordo firmado com o National Energy Technology Laboratory (NETL), laboratório ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos da América e, em 2012, estreitou as conversas com o intuito de buscar tecnologias de captura de CO2 a fim de desenvolvê-la e testá-la no Brasil em escala piloto em laboratório. Por meio das tratativas, foi possível chegar até a empresa americana Advanced Resources International (ARI), que atua no desenvolvimento e aplicação de tecnologias de adsorção de CO2 e outros gases.

“Essa empresa testou o processo em escala de bancada e após uma negociação, foi desenvolvido o projeto para instalação da planta-piloto na SATC”, conta. Para que esta etapa fosse possível, em 2013, foi aprovado o recurso de R$ 4,4 milhões junto à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), que também com esse recurso apoio a construção do Laboratório de Captura de CO2.

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O professor e pesquisador ressalta a importância desta iniciativa em nível nacional. “A SATC trouxe para a região uma tecnologia de caráter mundial e está testando aqui algo que dará confiança para o setor em todo o Brasil, para que o carvão continue sendo uma aposta e uma possibilidade na geração de energia. Uma equipe de nove engenheiros está envolvida no projeto. Alunos e ex-alunos da Engenharia Química e Engenharia Mecânica são contratados para trabalhar no projeto. É uma sinergia bem interessante entre o ensino, a pesquisa e a indústria”, pontua.

Em 2017, com a conclusão da instalação do laboratório, iniciou-se a instalação da planta-piloto, sendo que o projeto foi continuado por mais três anos, até 2020, graças ao programa da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para promoção de ações de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que possibilitou uma parceria com a empresa Eneva S.A. “Foi aí que de fato implementamos a tecnologia aqui na Satc. Testamos essa tecnologia e conseguimos ter resultados promissores, que indicaram que a gente deve continuar. Conseguimos obter de 30 a 50% de captura de CO2 nesta unidade piloto”, celebra.

Com o sucesso nos resultados obtidos, a expectativa é que o projeto seja mantido. “Vamos otimizar para atingir percentuais de remoção ainda maiores, devendo chegar entre 70 e 90% de captura. Este segundo projeto, que ocorrerá dentro dos próximos dois anos, é na ordem de R$ 7,2 milhões. O orçamento será discutido no próximo trimestre, mas estamos confiantes de que a Eneva contrate o projeto para continuarmos testando”, projeta. “Ao alcançar isso, teremos o indicativo de que é viável irmos para a próxima etapa, que seria a instalação de uma planta em uma usina térmica a gás ou a carvão, dentro da Eneva”, acrescenta.

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Futuro terá alta demanda pela tecnologia

A tecnologia para a captura de CO2 não é recente. O entrave, entretanto, ocorre no que diz respeito aos altos custos. “As tecnologias estão avançando e, a cada ano que passa, vão melhorando do ponto de vista de viabilidade econômica. As empresas vão melhorando ao longo do processo e este pode ser um diferencial para nós, desde que essa utilização traga resultados positivos. A demanda será gigante e global. Ou seja, o mundo inteiro tem que resolver este problema compartilhado. Nos próximos anos, a pressão ambiental e política será cada vez maior”, avalia o engenheiro.

A SATC, junto à Eneva, é a detentora da patente desta tecnologia no Brasil. Ou seja, se beneficiará à medida em que outras empresas passem a utilizar, futuramente, esta inovação em seu processo produtivo. “A captura de CO2 é uma corrida tecnológica. O mundo inteiro está atrás disso. É um compromisso assumido e ninguém vai escapar. Todos terão que fazer a captura do CO2. Inclusive, tivemos empresas interessadas, não apenas do ramo de energia, mas também empresas do setor de óleo e gás, de refratário, siderúrgico. Tem toda uma questão econômica envolvida também. O projeto desenvolve a tecnologia, movimenta a economia e forma profissionais neste processo de aprendizado. É muito positivo em todos os sentidos”, declara.

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O diretor executivo do Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc), Márcio José Cabral, comenta sobre o fato de a Satc estar estrategicamente bem posicionada neste mercado. “Só é possível acabar com a emissão do CO2 por meio da captura. Estrategicamente, nas indústrias de carvão e do gás, até 2050, nós somos obrigados a fazer isso. Esta é a tecnologia que vem forte no planeta. Ao desenvolvermos esta tecnologia, estamos preparando pessoas para atuar em todas as etapas desta indústria de captura de CO2, que conta com diversos especialistas envolvidos”, aponta.

“A Satc é formadora de profissionais. Felizmente, somos uma universidade vanguarda neste processo no país. No Brasil, estamos apenas no início deste processo, que é lento, mas está avançando. Ele poderá ser aplicado nas diversas indústrias que emitem CO2. Se os combustíveis fósseis não capturarem CO2, não conseguirão sobreviver e o mundo precisa dos fósseis, já que o apenas o sol e o vento não conseguirão resolver a questão energética. Além de criar esta nova condição de futuro para o setor, esta inciativa traz visibilidade e credibilidade para a Satc e mostra a importância do trabalho social realizado pela indústria do carvão”, conclui.

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