Política

Saúde Mental, álcool e outras drogas são debatidos em Audiência Pública

Encontro virtual reuniu entidades para debater os desafios e avanços das políticas públicas relacionadas ao tema

Divulgação

Segundo pesquisa divulgada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Organização Mundial da Saúde (OMS), os países estão falhando na implementação de serviços de saúde mental em um momento de pandemia e isolamento, onde esse apoio é fundamental para o bem estar da população. Pensando nisso, a Câmara de Vereadores de Criciúma promoveu mais uma Audiência Pública virtual para debater os desafios e avanços nas políticas públicas sobre Saúde Mental, Álcool e outras Drogas. O evento, proposto em reunião da Frente Parlamentar sobre Drogas e Saúde Mental do Legislativo, foi conduzido pelo vereador Manoel Rozeng (DEM).

“Nós tivemos algumas mudanças que eu considero evolutivas, que acrescentaram instrumentos à rede, para que ela consiga dar conta dos problemas de saúde mental da população brasileira de maneira mais efetiva. É um processo em construção, uma mudança conceitual recente, o surgimento de novos equipamentos e abertura de novos serviços vem acontecendo aos poucos. Todos os componentes vêm sendo reforçados. Mas nós também temos dificuldades, hoje temos cerca de 13 mil leitos em hospitais psiquiátricos, é um número extremamente baixo para um país com a nossa população. Isso deixa uma deficiência na nossa rede, justamente nesse componente de alta complexidade especializado, que é um atendimento de crise”, declarou o Dr. Rafael Bernardon, coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde.

Bernardon também falou sobre políticas do Governo Federal para prevenção ao consumo de drogas. “Temos três programas de prevenção que estão sendo implantados. Agora, com uma correta adaptação cultural e tradução, seguindo o padrão do desenvolvedor, estamos com o programa europeu “Tamo Junto”, que é para jovens. Também temos o “Famílias Fortes”, que foca no fortalecimento de vínculos familiares como forma de prevenção e de aumentar a resiliência desses jovens, é um programa feito para crianças pequenas, para que elas tenham uma educação sócio-emocional que dê elementos para lidar melhor com as adversidades e frustrações. Esses programas estão prontos para serem expandidos, vamos montar um Sistema Nacional de Prevenção, onde os municípios possam entrar e verificar os programas, levando em conta as diferenças entre as regiões do país”.

A representante do Conselho Municipal de Saúde e coordenadora do Nuprevips, Ana Losso, também participou do debate. “A saúde mental nunca esteve tão presente nos discursos políticos, sociais e técnicos como ultimamente, e não é para menos. Nós vivemos uma situação pandêmica em nível mundial, em proporção nunca imaginada, cujas respostas para enfrentamento nós não conhecemos. Nós não sabemos ainda o custo final dessa pandemia, além do custo social, político e econômico, nós enfrentaremos mudanças drásticas na população em geral, seja pelas sequelas ou perdas irreparáveis, mas principalmente pelo adoecimento mental. Fico feliz em ver essas perspectivas de mudanças, que possam somar para a melhoria da saúde da população”, comentou.

Também participaram do debate Aginaldo Luiz Isidoro, presidente da associação de usuários; Francis Mesari, presidente do Conselho Municipal Sobre Drogas de Criciúma; Vanio de Oliveira, presidente da Fecotesc; Andréia Bertoncini Pereira, coordenadora da Vigilância Sanitária; Antônio Carlos de Maman, representante do grupo Amores Exigente; e Vivian Zanette, representando a sociedade de psicologia.

Ao final da audiência, foi dado o seguinte encaminhamento:

– Projeto de Lei para inclusão da “Semana Municipal de Conscientização e Promoção de Ações para a Saúde Mental” no Calendário Oficial do Município de Eventos e Datas Comemorativas.

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