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SC pode ter 2022 com mais empregos e queda de preços, dizem especialistas

Confira quais são as projeções da indústria, agronegócio e tecnologia para o próximo ano

Divulgação

Com o sexto maior PIB do país, e quatro cidades entre as mais ricas do Brasil, Santa Catarina ostenta dados econômicos positivos. A indústria catarinense foi a que mais cresceu em 2021, e o setor de tecnologia tem se destacado a nível internacional, mas o Estado ainda enfrenta desafios que a pandemia trouxe, além de outros que estão há anos sem ser solucionados.

Segundo o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina, Luciano Buligon, para manter o bom desempenho no próximo ano são necessários investimentos em três pilares: infraestrutura, energia e qualificação profissional.

— O Governo do Estado está investindo em todos os aeroportos regionais, nos portos, rodovias federais e até em projetos de ferrovia e transporte aquaviário. Outro pilar é investir em energia. Vamos trazer energia em abundância para Santa Catarina, com a usina de gás natural, na Baía da Babitonga. Hoje nós temos um consumo de 2,5 milhões de metros cúbicos por dia, e essa usina vai nos entregar 15 milhões de metros cúbicos por dia a partir de maio do ano que vem — explica.

Buligon destaca ainda:

— O terceiro pilar é qualificação profissional. Investindo nas bolsas e também no novo ensino médio, que vai introduzir mais ciência, inovação e tecnologia. Isso vai fazer com que o egresso no ensino médio tenha já como ocupar importantes vagas. A Acate nos diz que temos cerca de 6 mil vagas abertas que necessitam de uma mínima qualificação.

Veja as projeções para os setores da indústria, agronegócio e tecnologia de Santa Catarina em 2022:

Indústria

Um dos grandes desafios enfrentados pela indústria durante a pandemia foi a escassez de insumos e matérias-primas. Sete em cada 10 empresas de SC informaram que têm enfrentado essa dificuldade. Mesmo assim, a indústria catarinense teve o maior crescimento do Brasil em 2021.

Com a reorganização das cadeias de produção, a perspectiva é que a oferta desses materiais volte ao normal, diminuindo os preços dos produtos finais.

— Tivemos uma escassez de insumos, que explica esse índice de preços ao produto muito elevado, que acabou sendo repassado na inflação. Mas esse primeiro período parece que passou. Estamos voltando a ter um reorganizamento da produção global. Esperamos que mesmo os recursos que ainda estão muito escassos, como os semicondutores e eletroeletrônicos, já estejam sanados até o segundo semestre do ano que vem — explicou Pablo Bittencourt, consultor de economia da Federação das Indústria do Estado de SC (Fiesc).

O analista da Fiesc explica que, como o dólar deve se manter alto em 2022, as empresas que tiverem estratégia de exportações devem ter um ano positivo. Em relação aos setores da indústria, o destaque deve ser o setor de madeira e móveis, que exporta bastante para os Estados Unidos e já teve crescimento em 2021.

No entanto, o analista destaca que o grande desafio para o crescimento da economia de Santa Catarina segue sendo a infraestrutura, que, segundo ele, é “menosprezada” pelo Governo Federal. Recentemente, o governo Jair Bolsonaro (PL) cortou quase R$ 40 milhões das obras de duplicação da BR-470 e da BR-163 no orçamento de 2021.

— É impressionante o nível de menosprezo que a infraestrutura de Santa Catarina, um Estado que é altamente competitivo, é tratada. Nos últimos 20 anos, a gente é um dos estados que tem o menor nível de investimento em infraestrutura no Brasil. É evidente que investimento em infraestrutura aumenta a produtividade. As empresas vão se sentir estimuladas em investir onde tem uma infraestrutura adequada para escoamento da produção — destaca Bittencourt.

Agronegócio

Com a promessa de uma boa safra agrícola de verão, as previsões do setor do agronegócio em Santa Catarina são de queda de preço de alguns produtos, principalmente do milho, já que a oferta será maior.

Conforme o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, em 2022, a estimativa é que sejam produzidas 120 milhões de toneladas de milho no Brasil. O consumo interno deve ser de cerca de 75 milhões de toneladas e 30 milhões serão destinados à exportação. Resultando na sobra do produto.

A partir de maio do ano que vem, o milho terá uma queda significativa de preço, segundo Barbieri. A grande oferta do produto vai favorecer Santa Catarina na produção de aves e suínos, já que as rações dos animais são feitas, principalmente, de milho de soja. A carne bovina, no entanto, deve continuar cara.

— Não vamos ter queda no preço da carne bovina porque retomou as exportações para China e falta boi para o abate. Deve ter ainda mais aumento agora. Mas o que deve regredir são os preços da carne suína e de frango, a partir de maio do ano que vem. Se vai sobrar milho e soja, o preço dos insumos vai caindo, então caem os preços das carnes também — explica.

Para o presidente da Faesc, o cenário em 2022 é favorável para aumento de produção de proteína animal em Santa Catarina, já que o mercado mundial continua crescente em demanda. Além da China, outros países estão comprando mais do Brasil, como a Rússia, que voltou a comprar suínos, e o México, que tem buscado o frango brasileiro.

A expectativa também é de mais oferta de produtos de inverno, como o trigo, que já teve destaque em 2021.

Tecnologia

Santa Catarina teve o maior salto do país no número de empresas de tecnologia, entre 2015 e 2020, e atualmente é o sexto Estado do Brasil com maior número de startups. Com um ecossistema cada vez mais maduro, a previsão é que o setor cresça ainda mais no próximo ano.

Para Iomani Engelmann, presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), as fintechs (empresas de finanças) devem continuar atraindo investimentos. Outras áreas promissoras no próximo ano são a saúde, que ganhou força com a pandemia, além da sustentabilidade e o agronegócio, com os temas centrais da Amazônia e COP 26, que foram bem repercutidos em 2021.

A expectativa da Acate é de que sejam abertas mais de 16 mil vagas no setor de tecnologia em Santa Catarina. No entanto, as empresas ainda enfrentam o desafio de encontrar profissionais qualificados. Para solucionar esse problema, diversas iniciativas estão sendo tomadas em conjunto pelo governo, entidades e empresas do setor.

— Temos diversas ações já em curso, como o Programa Entra21, do Blusoft, Polo Tecnológico de Blumenau, a capacitação oferecida pela Prefeitura de Florianópolis, em parceria com a UFSC, no projeto Floripa Mais Empregos, e o Programa Jovem Programador. A Acate e o Senai também lançaram o DEVinHouse, um programa de nove meses para formação de desenvolvedores. Com esse esforço conjunto, acredito que Santa Catarina seguirá como exemplo para o país e muitas regiões no mundo na área de tecnologia — destacou Engelmann.

Ações conjuntas

Para o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina, Luciano Buligon, “o território catarinense do pós-guerra é bem diferente do nacional”, com números positivos do PIB, desempenho da indústria, baixo desemprego e endividamento das famílias.

Segundo ele, a relação entre as empresas e o governo melhorou durante a pandemia, o que se reflete nas iniciativas conjuntas que estão sendo tomadas para solucionar os problemas do Estado e manter o bom ritmo de crescimento em 2022.

Com informações do NSCTotal

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