Cocal do Sul vai atender inicialmente cinco crianças com diabetes tipo 1; tecnologia reduz as picadas nos dedos e permite que os pais acompanhem os níveis mesmo à distância.
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Quando Ana Laura Rodrigues Branco tinha acabado de completar oito anos, passou tão mal que a família temeu que iria perder ela. O diagnóstico veio logo depois: diabetes tipo 1. Desde então, medir a glicose passou a fazer parte da rotina da menina e dos pais, durante o dia e também na madrugada.
Quatro anos depois, aos 12, Ana Laura está entre as primeiras crianças de Cocal do Sul a receber gratuitamente um sensor de monitoramento contínuo de glicose. A família já utilizava a tecnologia, mas precisava arcar com o custo do equipamento.
“A gente quase perdeu a Ana Laura. Dizemos que ela é um presente de Deus na nossa vida duas vezes. Quando conhecemos o sensor, passamos a usar, mas ele tem um custo alto. Agora vai ajudar bastante”, conta a mãe, a empresária Aline de Souza Branco.
Para Aline, uma das maiores mudanças está na liberdade que a tecnologia proporciona à filha e na tranquilidade para os pais. As informações ficam disponíveis no celular, inclusive quando Ana Laura está longe de casa.
“Ela está na escola, eu sei como está. Vai a um aniversário, eu também consigo saber. Antes, dependendo da glicemia, a gente acordava três ou quatro vezes durante a noite para furar o dedinho. Dói, incomoda e, com o tempo, cria calos. Para a criança e para a família, isso é qualidade de vida”, relata.
Mais segurança no controle do diabetes
A secretária de Saúde, Giovana Galato, explica que a iniciativa busca facilitar o tratamento e dar mais segurança às famílias. O equipamento faz leituras ao longo do dia e alerta quando os níveis ficam muito altos ou baixos.
“Principalmente para pacientes menores de 14 anos, essa tecnologia traz mais segurança para o controle glicêmico. A leitura ocorre em tempo real e temos como principal objetivo proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes”, afirma.
A médica Lílian Jocken Stange explica que a glicemia pode variar bastante em crianças e adolescentes que utilizam insulina. Alimentação e atividade física, por exemplo, podem provocar alterações ao longo do dia.
“O sensor consegue detectar essas variações e os pais também podem acompanhar pelo aplicativo. Isso facilita o controle e evita a necessidade de fazer tantas medições da forma tradicional”, explica.
Quem pode receber
O benefício é destinado a moradores de Cocal do Sul de 2 a 14 anos, com diagnóstico confirmado de diabetes mellitus tipo 1 e em uso de insulina. Também é necessário acompanhamento regular com endocrinologista da rede pública municipal, prescrição médica atualizada e atendimento aos demais critérios previstos no protocolo.
Segundo a enfermeira e responsável técnica da Enfermagem, Morgana Bosa, o acesso começa pela consulta com o endocrinologista. A documentação é encaminhada para análise da Secretaria Municipal de Saúde e, após a aprovação, a família recebe as orientações para utilização do equipamento.
“O programa busca não apenas fornecer a tecnologia, mas acompanhar a criança ou adolescente e sua família, promovendo educação em saúde e maior segurança no manejo do diabetes”, explica Morgana.
O acesso será reavaliado a cada seis meses, considerando a evolução clínica e a adesão ao tratamento. A disponibilização dos sensores está condicionada aos recursos financeiros municipais.