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Setor de eventos vive retomada em SC, mas tem desafios como mão de obra e fornecedores

Festas, shows e grandes eventos do Estado retomam geração de emprego no segmento, que se ajusta após dois anos de paralisação

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Depois de amargar dois anos de dificuldades por conta das restrições da pandemia, o setor de eventos vive, enfim, a fase de retomada. Anúncios de shows, festas, feiras e festivais se multiplicam nos últimos três meses e movimentam o calendário com uma demanda represada de encontros que não puderam ocorrer durante a crise de saúde.

A alta procura das pessoas por essas atrações contribui com um setor que tem muito a recuperar. Um levantamento da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), feito entre março e abril em todo o país, apontou que 56% das empresas do setor já voltaram a atuar normalmente após a pandemia. Outros 36%, no entanto, retomaram apenas parcialmente e 8% ainda sofrem as consequências da crise de saúde na atuação.

O novo momento dos últimos meses ainda não é visto nos números oficiais, mas dá sequência a uma recuperação que já começou seu curso em 2021. Outro levantamento da Abrape apontou que 52 áreas impactadas pela realização de eventos geraram juntas 268 mil vagas de emprego no país no ano passado — período em que ainda havia restrições de saúde. Isso representou alta de 8,8% em relação ao ano anterior e o resgate de 60% dos postos de trabalho perdidos em 2020. Neste ano, com o boom dos eventos dos últimos meses, a direção da Abrape estima que a geração de empregos no segmento já esteja no mesmo patamar pré-pandemia, de 2019.

A entidade não tem dados regionalizados, mas estima que, em todo o país, 590 mil eventos devem ser realizados até o fim do ano. O empresário catarinense Doreni Caramori Júnior, que é presidente da Abrape, confirma a demanda reprimida por entretenimento e conta que o público tem comparecido aos eventos. Ele avalia que o interesse das pessoas deve reduzir possíveis impactos da crise econômica no setor.

— Hoje, entre comprar um bem durável, que foi uma prática recorrente na pandemia, e ir para o lazer, se tiverem que escolher, as pessoas vão optar pelo lazer, pelo menos nos próximos dois anos — projeta.

O cenário de retomada pode ser visto nas festas e atrações dos últimos meses, mas também na volta dos grandes eventos do Estado. O Ironman, já neste mês, em Florianópolis, a Festa do Pinhão, em junho, o Festival de Dança de Joinville, em julho, e a Oktoberfest Blumenau, em outubro, são alguns exemplos de eventos e festividades dos próximos meses que enchem de expectativa a cadeia de serviços após os dois anos de interrupção.

Mão de obra e margem de lucro ainda são desafios

Mas a retomada do setor de eventos também enfrenta seus desafios. O primeiro deles é a dificuldade de obter mão de obra. Ao longo da pandemia, muitos trabalhadores precisaram migrar para outra atividade porque o segmento parou durante o período de proibições mais severas. Com o calendário voltando a funcionar, ficou mais difícil encontrar equipes para contratar. Para resolver a questão, a saída é aumentar a remuneração ou promover treinamentos, o que exige tempo e aumenta os custos.

Outro segmento que sente o aumento no número de eventos — e também as adversidades — é o de congressos e eventos técnicos e científicos. A presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos em Santa Catarina (Abeoc-SC), entidade que reúne organizadores deste segmento, Jane Balbinotti, afirma que o movimento aumentou desde o fim de fevereiro, mas que a obtenção de mão de obra vem sendo sentida.

— Mesmo que se fale que existe uma quantidade imensa de desempregados, a gente está sentindo dificuldade em contratações. Falta de garçom, recepcionista, operador de som, organizador de eventos. Nem todo mundo que teve que dispensar funcionários na pandemia conseguiu repor o quadro — afirmou.

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Dificuldade também com fornecedores

A mesma dificuldade se aplica aos fornecedores. Muitas empresas fecharam as portas na crise de saúde, o que reduziu a concorrência em algumas atividades. Na hora de comprar produtos ou contratar serviços para os eventos, os empresários têm se deparado com preços mais elevados, que chegam ao dobro de dois anos atrás.

O presidente da Abrape explica que esse cenário resulta em uma inflação de custos, em que os gastos dos organizadores aumentam e a margem de lucro, fica menor.

— A retomada é bastante positiva do ponto de vista de adesão do público, mas também é preocupante no aspecto da manutenção das margens (de lucro). O setor não tem alternativa. Parado há dois anos, tem que voltar. Mas muitos vão ter dificuldade de fazer suas contas fecharem — alerta Doreni.

Com os organizadores em busca de fornecedores com valores menores, o momento pode representar também caminho aberto para quem quiser apostar no setor. O empresário Develon da Rocha trabalha com promoção de eventos no Vale do Itajaí e promoveu atrações como o Festival Brasileiro da Cerveja, no início de maio, em Blumenau, que teve o segundo maior público de todas as edições. Ele confirma que o público está sedento por lazer, mas diz que muitos fornecedores têm apresentado “orçamentos exorbitantes”, o que se impõe como um desafio.

— Vai haver muita oportunidade para quem é do mercado, quem está surgindo com novo propósito — projeta.

O volume de eventos aguardado pelo setor para os próximos meses ainda é uma dúvida. Por um lado, há receio de que eventos como eleições e Copa do Mundo reduzam o ritmo atual. Por outro, a normalização do mercado e novidades como o Centro de Eventos de Balneário Camboriú são vistos como possíveis estímulos ao calendário do Estado.

— A gente sabe que esse ano está colocando em dia o que estava represado, e ano que vem volta tudo ao normal — avalia Develon.

Com informações do NSCTotal

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