Saúde

Suspensão da vacina para adolescentes revolta gestores da saúde de SC

Secretários municipais falam em "picuinha" do ministro e apontam para a falta de dados técnicos para suspender a vacinação deste grupo.

16 Setembro 2021 17:43:00

Foto: Divulgação / Secom / SC

A decisão do Ministério da Saúde de interromper a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades e não privados de liberdade nesta quinta-feira, 16, gerou revolta em gestores da saúde de Santa Catarina. De maneira emergencial, membros da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de SC (Cosems/SC) reuniram-se logo após o anúncio oficial para decidir sobre o impacto da medida.

Nos bastidores, a ação do Ministério e as falas do ministro Marcelo Queiroga geraram indignação. Secretários municipais falam em “picuinha” do ministro e apontam para a falta de dados técnicos para suspender a vacinação deste grupo. Para os gestores, a decisão de interromper a vacinação dos adolescentes sem embasamento técnico pode ser uma cortina de fumaça para esconder a falta de vacina.

Em entrevista coletiva, Queiroga afirmou que os municípios vacinaram adolescentes antes do prazo previsto e utilizaram doses de farmacêuticas diferentes das aprovadas. O Ministério exibiu números para justificar a suspensão, como o número de eventos adversos neste grupo, mas que são considerados “atabalhoados” e “levianos” pelos gestores catarinenses. Isso porque eventos adversos são comuns em processos de vacinação e o sistema pode ter erros de digitação.

O grupo decidiu por enviar um posicionamento para o Conass e Conasems, órgãos que representam os secretários de Saúde a nível nacional, e ao próprio Ministério da Saúde, reiterando a necessidade de seguir vacinando adolescentes sem comorbidades e não privados de liberdade. A Secretaria fala até mesmo em entrar na Justiça para responsabilizar Queiroga pelas falas desta quinta-feira (16).

Para os gestores, a decisão de suspender a vacinação de adolescentes pode estar relacionada com a falta de doses para segunda aplicação (D2) da Pfizer, única farmacêutica com autorização de aplicação em adolescentes. A medida serviria para postergar a imunização deste grupo e garantir o esquema vacinal dos adultos que receberam Pfizer. O grupo é unânime ao afirmar que faltam dados técnicos para suspender a imunização dos adolescentes.

Nesta quinta-feira, o Estado recebeu 174.330 novas doses da Pfizer. O Ministério “carimbou” todas elas para aplicação de D2.

Com informações do Rede Catarinense de Notícias

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