Saúde

Taxa de transmissão da Covid cai em SC, mas cenário reforça cautela, dizem especialistas

Número alto de internações, novas infecções e casos ativos da doença também devem ser considerados

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A taxa de transmissão da Covid-19 em Santa Catarina estava em 0,748 nesta quarta-feira (16), número que representa uma queda do indicador nas últimas semanas, segundo monitoramento do governo do Estado. Apesar da diminuição, especialistas defendem que é necessário manter cautela, pois o total de casos ativos e de novas infecções em Santa Catarina permanece alto.

De acordo com os dados do governo, a taxa de transmissão mais alta desde agosto do ano passado foi registrada no dia 25 de dezembro, quando chegou a 1,86. Ou seja, naquela época, cada 100 pessoas com o vírus poderiam infectar outras 186.

Segundo o professor Eduardo Werneck Ribeiro, do Instituto Federal Catarinense (IFC), o indicativo é positivo, mas bastante sensível, considerando que o volume de pessoas infectadas que fez o gráfico descer pode voltar a subir a qualquer momento.  

— Gráficos enganam e é preciso ter atenção. É positivo olhar com esse viés de baixa [dos números], só que ainda há uma alta taxa de transmissão, considerando o volume de pessoas que estão contaminados — afirma Werneck. 

O professor, que acompanha a evolução do cenário pandêmico no Estado, afirma ainda que os números devem ser analisados dentro de um contexto que reflete o cotidiano nas unidades de saúde. 

— Os números não podem ser vistos desassociados. Apesar de estarem caindo, as taxas de ocupação de leitos não acompanham muito essa queda. Hoje estamos mais suscetíveis ao contato com alguém contaminado do que na época da variante Delta e esse é o paradoxo do dado frente a realidade — destaca Werneck. 

Taxa de transmissão em SC

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Segundo o médico infectologista Ricardo Freitas, a queda dos números ligados à taxa de transmissão da doença se assemelha ao que ocorreu em outros países. E a tendência é que a situação se estabilize a partir de cuidados básicos relacionados a doenças respiratórias e com a vacinação. 

— Essa taxa de transmissão em Santa Catarina está refletindo a mesma coisa que aconteceu nos outros lugares que tiveram a onda da Covid pela Ômicron, que sobe muito rápido, mas também cai muito rápido. Eu vejo os números com otimismo porque sempre digo que a gente passou por duas pandemias, a pandemia da “covid original”, que se esgotou em outubro, novembro do ano passado, e a pandemia da Ômicron que pegou todo mundo, quase colapsando o atendimento ambulatorial. O fato é que os números têm mostrado para a gente que muito provavelmente o pior já passou — afirma o infectologista. 

Números em patamar elevado

Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), o gráfico mostra que o número de novas infecções pelo Coronavírus têm caído nas últimas duas semanas, mas ainda estão em um patamar alto. De acordo com o superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Eduardo Macário, ainda há mais de 30 mil casos ativos de Covid-19 no Estado, número que se aproxima a março de 2021, mês mais crítico da pandemia. 

— São cerca de 4 mil novos casos diários em média, a metade do que tivemos duas semanas atrás, quando chegamos a uma média de 8 mil casos por dia. Isso também tem reduzido o número de casos ativos, que alcançou 80 mil há duas semanas, e agora retorna a um patamar de 35 mil casos ativos. Esse número ainda é elevado se considerarmos março de 2021, o mês mais critico da pandemia, quando Santa Catarina chegou a ter 38 mil casos ativos — explica Macário. 

A expectativa das autoridades em Saúde é que as próximas semanas continuem tendo redução no número de novas infecções em SC, mas é necessário considerar as hospitalizações e mortes em elevação, principalmente envolvendo pessoas que não se vacinaram, não completaram o esquema vacinal primário ou que não retornaram para fazer a dose de reforço.

— A expectativa que temos é que o número de novas infecções continue reduzindo nas próximas duas semanas, para diminuir ainda mais o número de casos ativos, de pessoas que possam transmitir a doença para outras pessoas, e que possamos avançar também na vacinação de reforço para proteger de forma mais efetiva a população em geral, em especial nos idosos. Além, é claro, de aumentar a proteção de crianças e adolescentes ampliando a cobertura vacinal nessa faixa etária — destaca o representante da Dive. 

Com informações do NSCTotal

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