PF e Gaeco cumpriram mandados em Santa Catarina e outros seis estados; esquema movimentou bilhões com fraude e lavagem de dinheiro
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Um condenado por tráfico internacional de drogas que se transformou em empresário de sucesso no setor de combustíveis após deixar a prisão foi o ponto de partida para a megaoperação “Carbono Oculto”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público em Santa Catarina e mais seis estados nesta quinta-feira (28). A investigação revelou um esquema de infiltração de uma facção criminosa paulista no mercado de combustíveis e no sistema financeiro, com movimentação bilionária e ampla rede de lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, o homem foi condenado a 9 anos e 8 meses na Operação Ferrari, em 2015, por tráfico internacional e associação criminosa. No regime semiaberto, ele iniciou uma rápida ascensão empresarial, comprando postos e distribuidoras falidas que, sob sua gestão, passaram a faturar até R$ 200 milhões por ano. O investigado é suspeito de atuar como intermediário de uma distribuidora que recebeu R$ 434 milhões de uma fintech envolvida no esquema. Foragido, ele é um dos oito alvos de prisão.
As investigações apontam que o grupo usava uma fintech, o BK Bank, como banco paralelo, movimentando R$ 46 bilhões em operações não rastreáveis. A rede envolvia ainda o Grupo Aster/Copape, dono de usinas e de mais de 1 mil postos de combustíveis, e o fundo Reag, utilizado para blindagem patrimonial. O ciclo incluía desde a importação de produtos como nafta e diesel até a venda adulterada em postos, onde o dinheiro era “limpo” por meio de maquininhas de cartão.
Segundo a Receita Federal, o esquema gerou autuações que já somam R$ 891 milhões e teria sonegado R$ 7,6 bilhões em impostos.
Em Santa Catarina, o Gaeco cumpriu mandados de busca em Itajaí e Criciúma. No total, a operação envolveu 1,4 mil agentes e mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Os crimes investigados incluem lavagem de dinheiro, fraude fiscal, estelionato, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.