Decisão considera as condições de assoreamento no canal; moradores cobram alternativas para garantir deslocamentos durante a noite.
Foto: Elvis Palma
A paralisação da travessia noturna de balsa em Laguna foi prorrogada e, agora, está prevista para permanecer até 3 de setembro. A medida está relacionada às condições de assoreamento do canal, que podem dificultar a navegação, principalmente durante o período da noite.
Com a extensão do prazo, a Prefeitura de Laguna busca alternativas para reduzir os impactos da interrupção do serviço. Entre as possibilidades discutidas estão estudos e ações de dragagem na lagoa para melhorar as condições do canal.
Enquanto isso, a empresa responsável pela travessia deve manter contato com a população, a Marinha e o município para informar sobre as condições de navegação e eventuais mudanças na operação.
Em períodos de maior concentração de sedimentos, novas interrupções pontuais podem ocorrer, conforme as condições de segurança para a circulação da embarcação.
Moradores cobram solução para travessia noturna
A situação preocupa moradores da região da ilha, que dependem da travessia para deslocamentos entre as comunidades e o restante do município, inclusive em situações de emergência.
Vera Regina Aquino, presidente da Associação de Moradores da Ponta da Barra de Laguna, afirma que a extensão do prazo dá mais tempo para buscar uma solução, mas não elimina a preocupação com a possibilidade de novas interrupções.
“A gente espera que nesse período seja encontrada uma alternativa para manter a balsa funcionando durante a noite, porque as pessoas trabalham, estudam e têm situações de emergência que não escolhem horário para acontecer”, afirma.
Segundo Vera, já houve situações em que veículos de emergência precisaram utilizar a travessia. Ela cita como exemplo um episódio recente em que uma ambulância estava na balsa quando a embarcação precisou interromper o deslocamento.
A preocupação, de acordo com a representante dos moradores, não se limita à Ponta da Barra. Comunidades como Farol de Santa Marta, Campos Verdes e Passagem também dependem do acesso aos serviços disponíveis em outras regiões do município.
“Não é só uma questão de ir e vir. Existe a necessidade de atendimento médico, de polícia, de bombeiros e de outros serviços. Quando acontece uma emergência durante a noite, a travessia passa a ser uma questão essencial”, explica.
Na Ponta da Barra, moradores ainda contam eventualmente com um bote como alternativa, mas o recurso também possui limitações de horário e não substitui a estrutura da balsa.
Associação recorre à Justiça
Diante da interrupção da travessia, a Associação de Moradores da Ponta da Barra também buscou medidas judiciais. Segundo Vera, um mandado de segurança foi apresentado na semana passada, mas acabou negado em primeira instância.
A entidade posteriormente protocolou uma petição no tribunal competente e aguarda uma manifestação sobre o caso.
“A gente está dando continuidade pela via judicial porque entende que esse é o caminho legal para discutir a situação e verificar também quais são, de fato, as condições previstas para a prestação desse serviço”, afirma Vera.
A representante dos moradores também questiona as condições da prestação do serviço e afirma que problemas na travessia não seriam recentes.
De acordo com ela, além das dificuldades provocadas pelo assoreamento, usuários relatam problemas relacionados à própria operação da balsa e ao rebocador utilizado no serviço.
Prefeitura busca alternativas
Durante os próximos dias, o município pretende avaliar alternativas para enfrentar as condições do canal. Entre as possibilidades está a realização de estudos e medidas de dragagem na lagoa.
Para os moradores, porém, a expectativa é que uma solução seja encontrada antes do fim do novo prazo.
“O ideal é que a gente tenha uma balsa funcionando durante toda a noite, mesmo que com os ajustes necessários. A população precisa saber que pode atravessar quando surgir uma emergência ou quando o deslocamento for realmente necessário”, afirma Vera.
A travessia noturna permanece, portanto, como uma das principais demandas dos moradores da ilha enquanto o município e a empresa avaliam as condições de navegação e possíveis medidas para garantir a continuidade do serviço.
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