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Tubarão registrou o maior terremoto da história de Santa Catarina; entenda por que o fenômeno ocorreu

Abalo sísmico de 1939 continua sendo o mais intenso já documentado no estado. Especialistas explicam as causas do tremor e descartam a possibilidade de eventos como os registrados recentemente na Venezuela.

Foto: Anderson Nunes

Quando se fala em terremotos, é comum que o pensamento vá para países como Chile, Japão ou, mais recentemente, Venezuela. No entanto, poucos sabem que o maior abalo sísmico já registrado em Santa Catarina teve como epicentro a cidade de Tubarão. O episódio ocorreu em 28 de junho de 1939 e permanece, até hoje, como o terremoto mais forte documentado no estado.

A magnitude do fenômeno foi estimada entre 5,5 e 5,9, dependendo da metodologia utilizada na época. Embora seja considerado um terremoto moderado, ele foi suficiente para assustar a população e ser sentido em diversas cidades do Sul do Brasil.

Relatos históricos apontam que moradores ouviram um forte estrondo antes do tremor, sentiram portas e janelas balançarem, objetos caírem e registraram pequenas rachaduras em algumas construções. Apesar da intensidade, não houve registro de mortes ou grandes destruições.

Quem viveu aquele momento nunca esqueceu o susto. Em um depoimento registrado anos depois, a professora aposentada Lindomar Claudino Gomes relembrou a reação da família durante o tremor. “Achei que iria morrer. Eu estava deitada quando ouvi as panelas caindo. Minha mãe veio correndo da roça gritando que a terra estava tremendo. Meu pai ficou paralisado”, recordou.

Outra moradora, Vitória Regina Borges, contou que presenciou o fenômeno ainda jovem, quando morava no interior de Cocal do Sul. “A casa começou a tremer de repente. Ninguém entendia o que estava acontecendo. Só depois fomos saber que tinha sido um terremoto”, relatou.

Por que houve um terremoto em Tubarão?

Foto: Arquivo Histórico de Tubarão

Apesar da fama de país livre de terremotos, o Brasil registra pequenos abalos sísmicos com relativa frequência. A diferença é que eles, normalmente, apresentam baixa intensidade e dificilmente provocam danos significativos.

Segundo o geólogo Rafael Lehnen, o território brasileiro está localizado no interior da Placa Sul-Americana, uma região considerada tectonicamente estável.

“O Brasil inteiro está em uma zona de estabilidade tectônica, pois está localizado no interior da placa sul-americana”, explica.

O especialista ressalta que o terremoto de Tubarão não ocorreu por choque entre placas tectônicas, como acontece em países andinos.

“As falhas geológicas são estruturas geradas pelo rompimento da crosta em um passado muito distante. Hoje elas não estão mais ativas, mas pode ocorrer uma acomodação em uma dessas falhas pré-existentes, gerando pequenos sismos”, afirma.

Lehnen explica que essas estruturas são registros de movimentações ocorridas há centenas de milhões de anos, quando a região ainda fazia parte de uma área tectonicamente ativa.

Ele também destaca que existe um mapeamento dessas falhas realizado pelo Serviço Geológico do Brasil, abrangendo todo o território nacional.

Tremores recentes e possibilidade de novos eventos

Desde 1890, Santa Catarina registrou dezenas de terremotos de baixa magnitude, com epicentros distribuídos por diferentes regiões do estado. Entre os municípios que já registraram abalos estão Florianópolis, Blumenau, Garopaba, Braço do Norte, Sangão, Joaçaba, Curitibanos, Itá, Campo Belo do Sul, Timbó Grande e Concórdia.

Mesmo assim, nenhum superou a intensidade do terremoto registrado em Tubarão em 1939.

Embora pequenos tremores possam continuar ocorrendo, especialistas descartam qualquer possibilidade de um terremoto semelhante ao que atingiu recentemente a Venezuela.

“Não existe nenhuma possibilidade de ocorrer um terremoto como o da Venezuela no Brasil”, reforça Rafael Lehnen.

O geólogo acrescenta que alguns abalos de baixa intensidade podem estar relacionados, inclusive, a fatores locais.

“Em determinadas situações, a extração excessiva de água subterrânea pode provocar acomodação das rochas, favorecendo pequenos sismos”, observa.

Foto: Arquivo Histórico de Tubarão

Defesa Civil não possui protocolo específico

O secretário de Proteção e Defesa Civil de Tubarão, Rafael Marques, explica que o município não possui protocolos específicos para esse tipo de ocorrência, justamente pela raridade do fenômeno.

“Não temos protocolos sobre esse tipo de fenômeno”, afirma.

Segundo ele, as lembranças sobre o terremoto permanecem vivas entre moradores mais antigos da cidade.

“Minha mãe contava do susto que levaram. Os objetos que estavam na cristaleira batiam uns nos outros e toda a casa tremia”, relembra.

Mesmo sendo considerado um evento histórico e incomum, o terremoto de 1939 permanece como um dos episódios geológicos mais marcantes já registrados em Santa Catarina, reforçando que, embora raros e de baixa intensidade, tremores de terra também fazem parte da realidade brasileira.

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