Relatório da UDESC indica registro inédito no município e aponta que a estrutura pode ter sido escavada por animais de grande porte.
Membros da equipe BioGeo, da EPAGRI e da família Cattaneo/Bett em frente à paleotoca – Foto: BIOGEO/UDESC
A história do “tatu gigante”, bastante conhecida na região, ganhou novo capítulo após a descoberta de um túnel, em Lauro Müller, que viralizou nas redes sociais. Um estudo da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) apontou que a estrutura pode ser uma paleotoca, escavada por animais da megafauna, que habitaram a região há milhares de anos.
A descoberta, registrada inicialmente em vídeo pela moradora Simone Cattaneo, chamou atenção pela dimensão da galeria subterrânea. Agora, após análise técnica realizada no dia 6 de março, pesquisadores do grupo BIOGEO/UDESC concluíram o relatório nesta semana, indicando que a cavidade apresenta características típicas desse tipo de registro paleontológico.
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Segundo o relatório, o objetivo da equipe foi “reconhecer e descrever as características morfológicas de uma cavidade […] visando sua classificação como uma paleotoca escavada pela megafauna do Quaternário”. A avaliação foi feita após a estrutura ser encontrada durante o alargamento de uma estrada na localidade de Rio Amaral Gruta.
Estrutura foi encontrada durante o alargamento de uma estrada na localidade de Rio Amaral Gruta – Foto: BIOGEO/UDESC
De acordo com os pesquisadores, “as características gerais da cavidade possibilitaram inferir que se trata de um icnofóssil”, ou seja, um vestígio deixado por atividade de seres vivos do passado. A estrutura possui cerca de 25,9 metros de extensão, com formato arredondado e presença de ramificações internas.
Outro ponto que reforça a hipótese é a presença de marcas no interior do túnel. “Foram encontrados registros interpretados como marcas de garras”, aponta o documento.
Registros encontrados no interior do túnel foram interpretados como marcas de garras – Foto: BIOGEO/UDESC
Essas evidências indicam que a escavação pode ter sido feita por animais semelhantes a tatus de grande porte, pertencentes à megafauna extinta. A pesquisa também destaca a relevância do achado para a ciência. “Este icnofóssil constitui o primeiro registro de paleotocas nessa formação geológica” em Lauro Müller e outros municípios da região, ampliando o conhecimento sobre a presença desses animais no Sul de Santa Catarina.
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Antes da análise técnica, a origem do túnel levantava diferentes hipóteses, como antigas galerias de mineração, estruturas de drenagem ou até formações naturais. A possibilidade de ligação com histórias antigas da região, muitas vezes tratadas como lenda, também ganhou força com a repercussão do vídeo. Agora, com base no estudo, a ideia de que grandes animais pré-históricos possam ter habitado a região ganha respaldo científico.
Registro feito do interior da paleotoca – Foto: BIOGEO/UDESC
O material coletado deve ser apresentado em evento acadêmico, contribuindo para pesquisas sobre a megafauna no Brasil. Apesar da curiosidade que o local desperta, os especialistas fazem um alerta: não é recomendado entrar na cavidade sem orientação. A recomendação é preservar a área e evitar novas intervenções, garantindo que o local possa continuar sendo estudado e protegido como um possível registro da pré-história catarinense.
“Paleotocas podem conter fungos e bactérias nocivos à saúde humana, servir de abrigo para animais atuais e desabar em algumas partes”, destaca o relatório.
O levantamento foi conduzido pelo professor Jairo Valdati, do Laboratório de Geografia Física da UDESC, com participação dos pesquisadores doutorandos Arthur Philipe Bechtel, Yasmim Rizzolli Fontana dos Santos e Miguel Angel Cruz Perez, e do graduando Pedro Cauê Souza.
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