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Ulisses contesta, mas TCE sustenta irregularidades no Universidade Gratuita

TCE reafirma suspeitas sobre 18 mil bolsas; Polícia Civil do Estado contesta números e vê apenas 300 fraudes

Foto – Divulgação

O programa Universidade Gratuita, segue fomentando divergências entre o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC) e o Governo do Estado.

Em entrevista ao portal Sul In Foco, o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Ulisses Gabriel, contestou o relatório do TCE que apontou mais de 18 mil bolsas com indícios de irregularidade.

Segundo ele, os dados foram analisados de forma automática, sem checagem aprofundada, o que inflou os números e gerou alarme injustificado.

“Eles fizeram uma manifestação sobre 18 mil inconsistências. Nós fizemos um trabalho, e as inconsistências desceram drasticamente. Identificamos cerca de 150 com patrimônio milionário e outros 150 que não residem em Santa Catarina”, disse o delegado-geral.

Ulisses também questionou a metodologia adotada: “Por que será que deu uma diferença tão grande? Boa pergunta. Nós estamos fazendo esse trabalho individualizado, um por um. O que eles fizeram foi jogar no sistema”, criticou.

Enquanto a Polícia Civil sustenta que muitos dos casos apontados são, na verdade, erros de preenchimento ou dados desatualizados, o TCE confirmou à reportagem, através da
assessoria de imprensa, que o relatório DIE 036/2025 segue válido.

Com mais de 300 páginas, o documento apresenta, com base em cruzamentos de dados oficiais, como Receita Federal, CadÚnico, Detran, CAGED e CNIS , um total de 18.323 bolsas com algum tipo de inconsistência.

Entre os casos listados estão estudantes com patrimônio acima do permitido, renda familiar elevada, duplicidade de matrícula, vínculos empregatícios não declarados, ausência de domicílio em Santa Catarina e até 133 registros de pessoas falecidas recebendo bolsa.

Segundo o relatório, se não corrigidas, essas falhas poderiam gerar prejuízo de até R$ 324 milhões aos cofres públicos.

A assessoria do Tribunal explicou que o levantamento tem caráter técnico e preventivo, e que o objetivo do TCE é indicar riscos aos gestores, para que os órgãos competentes, como a própria Polícia Civil, façam a investigação aprofundada.

Ulisses reafirma que essa investigação já está em andamento. A apuração conduzida pela Delegacia de Defraudações, com cruzamentos detalhados e verificação manual, aponta cerca de 300 casos com indícios reais de fraude.

Os beneficiários, segundo ele, devem ser indiciados, com posterior pedido de ressarcimento e encaminhamento para a Receita Federal.

Os demais casos serão tratados como falhas técnicas, e os estudantes terão a chance de corrigir os dados.

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