Saúde

Uma luta para não perder a visão

Foto: Daniel Búrigo / Clicatribuna

Edvaldo Correa é torcedor fiel do Criciúma. Em todos os jogos no Estádio Heriberto Hülse, ele marca presença. Mas, diferente do restante do público que acompanha as partidas, ele possui a visão muito prejudicada. Do olho esquerdo, ele não enxerga. Do direito, possui apenas 5% da visão. Então, quando vai ao estádio, não consegue ver nada. A história dele poderia ser de um torcedor apaixonado, que não mede as dificuldades para ir até os jogos, mas, na verdade, ele vem sofrendo.

Em 2015, ele recebeu o diagnóstico de diabete em estado avançado. O problema começou a afetar a visão e um laudo médico apontou que ele estava com catarata. Em julho de 2017, conseguiu realizar a cirurgia, mas, por conta do procedimento, deveria continuar com um tratamento de vitrectomia, que tem como objetivo a remoção de parte ou da totalidade do humor vítreo do olho, indicada em diversas doenças dos olhos.

“Isso deveria ser ofertado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas não foi. Eram quatro vezes que eu precisava fazer. Paguei uma vez em cada olho e depois não fiz mais por conta da minha condição financeira”, contou.

Quando ele foi inserido na lista de aguardo, ele tinha 10% da visão do olho direito. A falta do tratamento adequado causou uma piora. No início desta semana, ele procurou novamente um oftalmologista e recebeu a notícia que o tratamento não resolve mais e agora precisa de uma cirurgia urgente.

Um cidadão que quer seus direitos

A indignação de ter esperado tanto tempo na fila é visível quando Correa fala do assunto. Segundo ele, as tentativas de conseguir o tratamento foram constantes. Hoje ele está na posição 486. Ele afirma que liga para a Secretaria de Saúde do Município e a resposta que recebe é a de que não há uma previsão e o que resta é aguardar a sua vez.

“Isso não pode acontecer. Eu contribui 27 anos como trabalhador. Sempre paguei meus impostos. Não estou pedindo um favor. Eu sou um homem de bem, só quero que todos esses anos dando dinheiro para o governo seja revertido nos meus direitos como cidadão de ter uma vida melhor. Se eu não tivesse esperado tanto tempo, eu não precisaria dessa cirurgia. Dão a desculpa que as pessoas faltam nas consultas e cirurgias, mas eu não posso pagar pelo erro dos outros. Agora querem que eu entre na fila de novo para fazer a cirurgia, sendo que estava esperando por um tratamento há mais de um ano”, se emocionou.

Foto: Daniel Búrigo / Clicatribuna

Caso precisa ser analisado para saber qual o encaminhamento

A secretária de Saúde de Criciúma, Franciele Gava, explica que a vitrectomia não é um procedimento comum. Quando o tema é tratamentos e cirurgias de oftalmologia, ela aponta que há inúmeros dele e que é preciso compreender melhor o caso para saber quais encaminhamentos devem ser dados.

“Se ele possui o laudo, ele precisa levar até a Secretaria de Saúde, com o cartão SUS, para que a gente possa ver o que precisa ser feito. Se não tivermos profissionais para atender aqui, se for em Florianópolis, temos que fazer o encaminhamento. Não posso afirmar como proceder sem ter conhecimento exato do caso”, disse a secretária.

Com informações de Lucas Renan Domingos / Clicatribuna

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