Oceanólogo nascido em Criciúma e criado em Içara soma mais de 15 mil milhas navegadas em navios de pesquisa e participou da primeira expedição brasileira à Antártica; aos 71 anos, mantém viva uma história construída entre ciência, mergulho e paixão pelo mar.
Foto: Arquivo Pessoal
O mar entrou cedo na vida de José Nestor Cardoso e nunca mais saiu. Hoje, aos 71 anos, o oceanólogo e mergulhador científico carrega uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à oceanografia, ao mergulho, à pesquisa e à formação de profissionais.
Nascido em Criciúma e criado em Içara, José Nestor começou a mergulhar aos oito anos. Com nadadeiras, máscara e snorkel, aproveitava os verões no Balneário Rincão para explorar o mar. As férias também tinham tardes na Lagoa dos Freitas e viagens para Laguna e Garopaba, quase sempre com o equipamento por perto.
“Desde os oito anos eu mergulhava. O conjunto de mergulho ia sempre junto. Mesmo quando meu pai não gostava muito da ideia de me aventurar sozinho no mar, eu ficava longas horas na água”, recorda.
A curiosidade de criança ganhou rumo profissional quando ele conheceu a Oceanologia. Aos 17 anos, deixou a região para estudar e posteriormente ingressou no curso da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), pioneiro no Brasil.
Em 1979, tornou-se professor responsável pela disciplina de mergulho e pesquisador em oceanografia física na FURG. A partir dali, passou a participar de levantamentos oceanográficos, estudos de correntes e condições do mar, batimetrias, pesquisas pesqueiras e diferentes projetos científicos embarcados.
Foto: Arquivo Pessoal
Ao longo da carreira, José Nestor contabiliza mais de 15 mil milhas navegadas em diferentes navios e embarcações de pesquisa. Entre eles está o navio oceanográfico Professor Wladimir Besnard, da Universidade de São Paulo (USP), no qual integrou a primeira expedição brasileira à Antártica. Na missão histórica, foi responsável pelas pesquisas de oceanografia física.
A trajetória embarcada também inclui operações de pesquisa no navio oceanográfico Almirante Câmara, da Marinha do Brasil, e em embarcação da Petrobras. Mas foi nos mares do Sul do Brasil que José Nestor realizou grande parte das navegações científicas, especialmente a bordo do navio oceanográfico Atlântico Sul e da lancha oceanográfica Larus, ambos da FURG. Foram anos de coletas, levantamentos e pesquisas diretamente ligados ao conhecimento do ambiente marinho.
A experiência na Antártica tornou-se um dos capítulos mais marcantes de uma carreira construída também em projetos na Lagoa dos Patos, levantamentos do fundo do mar, estudos de oceanografia física e pesquisas sobre recursos pesqueiros.
Foto: Arquivo Pessoal
As experiências renderam ainda histórias que parecem roteiro de aventura. Durante uma missão aérea para localizar cardumes, José Nestor e a equipe avistaram um pesqueiro em chamas. A operação permitiu encontrar uma balsa com os tripulantes e transmitir as coordenadas para que fossem resgatados.
O mergulho também o levou à formação de novos profissionais. José Nestor tornou-se instrutor pelas certificadoras internacionais PADI, IANTD e CMAS, além de mergulhador científico, reunindo experiência prática e conhecimento técnico acumulados ao longo de décadas.
A PADI (Professional Association of Diving Instructors) é uma das principais organizações internacionais de treinamento e certificação de mergulhadores. A IANTD (International Association of Nitrox and Technical Divers) atua especialmente na formação para mergulho técnico e avançado. Já a CMAS (Confédération Mondiale des Activités Subaquatiques) é uma organização internacional dedicada ao desenvolvimento, ensino e formação em atividades subaquáticas.
“Minha vida seguia no rumo mal traçado, porém desejado, que eu havia eleito”, resume José Nestor.
Foto: Arquivo Pessoal
Aos 71 anos, aquele menino que entrou no mar com máscara, snorkel e nadadeiras pode olhar para uma trajetória que atravessou oceanos: mais de 15 mil milhas navegadas, inúmeros trabalhos científicos, formação de mergulhadores e a participação na primeira expedição brasileira à Antártica. Uma paixão de infância que virou profissão e se transformou em uma vida inteira dedicada ao mar.
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