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Vídeo: Sem luz e com comida estragada, moradores protestam em Criciúma

Após operação da Celesc, famílias do bairro Progresso seguem há mais de uma semana sem energia elétrica e cobram solução das autoridades

Foto – Gentil Francisco| Divulgação UABC

Após operação da Celesc, famílias do bairro Progresso seguem há mais de uma semana sem energia elétrica e cobram solução das autoridades

“Já são oito dias sem energia. Fruta, leite, verdura, carne… tudo estragando. À noite, sem ventilador, com mosquito, e as crianças sofrendo”. O desabafo é de Hemily de Oliveira, 23 anos, moradora do bairro Progresso, em Criciúma. Nesta quarta-feira (23), ela e cerca de 30 vizinhos estiveram em frente à Prefeitura pedindo o básico: luz.

A manifestação veio depois de uma operação da Celesc com apoio da Polícia Militar, no último dia 15. A ação mirava ligações clandestinas de energia, os chamados “gatos”. O resultado: fios cortados, casas às escuras e nenhuma alternativa legal à vista.

“A gente comprou os fios, e levaram tudo”

Hemily diz que mora no local há dois anos. Nunca teve problemas. Mas agora, não tem luz, nem água.

“Tiraram todos os fios, e os fios eram nossos. Comprados com o pouco que a gente tem. As carnes estragaram, a gente tá usando vela. Meu filho dorme passando repelente, que já tá no fim.”

Os moradores alegam que não se recusam a pagar pelo serviço. O problema é que, como a área não tem regularização fundiária, a Celesc não pode religar as residências. “A gente quer regularizar. Só não temos como. A prefeitura precisa liberar. A Celesc sozinha não pode fazer nada”. rebate a moradora.

Durante a operação, parte dos moradores foi detida. “Gente que nunca entrou numa delegacia. Agora tá com nome sujo, como se fosse ladrão de energia. Mas ninguém fez por mal. É que não tem outro jeito”, desabafa.

Segundo Hemily, depois da repercussão, a prefeitura se comprometeu a enviar uma equipe ao bairro ainda hoje para cadastrar as famílias. “Disseram que vão até nossas casas. Mas a gente só acredita vendo. Por isso estamos aqui. Se a gente for embora, é capaz de nem irem”, diz a protestante, que segue na tarde desta quarta-feira na frente da prefeitura.

A secretária de Assistência Social de Criciúma, Dudi Sônego, confirmou que a área ocupada é irregular e que já há um processo de reintegração de posse em andamento. Mesmo assim, garantiu que a Prefeitura está buscando alternativas emergenciais.

“Semana passada houve uma ação da Celesc junto com a Polícia Militar desligando as energias irregulares. A área é uma ocupação irregular, e existe um processo de reintegração de posse.

Mas nos solidarizamos com as famílias. Eles nos procuraram, e nossa equipe foi até o local. Fizemos um levantamento inicial, que agora será um cadastramento completo: vamos fazer cadastro socioeconômico e entender a situação de cada família”, prometeu.

Segundo a secretária, a intenção é viabilizar uma autorização provisória para religação da energia.

“Sabemos que regularizar toda a área leva tempo, mas a energia é urgente. Vamos começar ainda nesta quarta os cadastros para, pelo menos, liberar essa ligação provisória enquanto o processo maior segue”.

Veja o vídeo da manifestação abaixo:

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