Saúde

Menino de SC ganha ouvido biônico na Justiça e mãe se emociona: “Vai ouvir minha voz”

Procedimento é chamado de implante coclear e vai permitir que Brayan Uhlmann Landeira consiga desenvolver a fala e escutar a voz da mãe pela primeira vez

Divulgação

Uma corrida contra o tempo. Foi assim todo o contexto de uma decisão judicial que vai permitir que o blumenauense Brayan Uhlmann Landeira, de três anos, receba um ouvido biônico através do SUS em regime de urgência.

O menino sofre de um problema grave de audição e corria o risco de não desenvolver a fala caso ficasse sem fazer o procedimento até o início de 2022. Para o alívio da família, a Defensoria Pública conseguiu com que o Estado liberasse o aparelho.

— A minha alegria é de alguém que ganhou na loteria. É um prêmio melhor do que qualquer coisa que existe na vida — comemora.

Brayan nasceu com uma condição chamada de perda auditiva neurossensorial profunda bilateral. Esse tipo de problema ocorre no ouvido interno e causa dificuldade para separar a fala de ruídos externos e ouvir sons de alta frequência. O menino tem essa condição nos dois ouvidos.

O problema foi descoberto em 2019. Desde então, Gabriela conta que a família está na fila do SUS e em um vaivém entre hospitais para tentar resolver a situação, sem resultado até então.

Segundo a mãe, se o menino não fizesse o procedimento até os quatro anos de idade, existia 90% de chance de ele não conseguir mais desenvolver a fala. Mesmo que fizesse o implante depois desse período, conseguiria apenas recuperar a audição.

Brayan usa há um ano um outro aparelho auditivo, mas não houve resultado. Nesses casos, a solução é um implante coclear, comumente chamado de ouvido biônico, já que é um aparelho que reproduz a mesma função do ouvido.

— Pelo SUS, até os quatro anos de idade é feito o implante nos dois ouvidos, que é o que ele precisa. Mas depois dessa idade ele iria para uma outra fila de espera e a cirurgia ia ser feita apenas em um lado — explica.

O menino completa quatro anos em 16 de janeiro. Com o prazo batendo na porta e sem ter nem sequer a informação de em que posição estavam na fila, a família entrou na Justiça e conseguiu o direito de receber o implante em até dez dias.

O defensor público Albert Silva Lima, responsável pelo caso, explica que com a decisão o menino fará o procedimento pelo SUS, mas sem ter mais que ficar em fila de espera. Se fosse pago, o custo total da operação seria de R$ 288 mil, quantia que a família não tem.

— Não importa se eu tiver que ficar no Natal ou Ano Novo no hospital, eu não preciso mais de presente nenhum. O meu presente já foi dado. Já pensou quando o médico ligar o aparelhinho e ele escutar minha voz? Eu já chorei um monte hoje, acho que no dia que ele escutar minha voz eu vou chorar o triplo — conta a mãe emocionada.

Gabriela trabalha como servente de limpeza. O marido é vigilante. Eles têm outros dois filhos e Brayan foi o único que nasceu com o problema auditivo. Tudo indica, também, que ele tenha um quadro de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Ne decisão, a promotora de Justiça da Infância e Juventude do MPSC em Blumenau, Cristina Nakos, destacou que o perigo de dano estava comprovado. “Por se tratar de enfermidade relacionada ao desenvolvimento auditivo, é certo que o atraso na inserção do dispositivo pode ser prejudicial e irreparável à criança”, declarou.

O próximo passo é resolver os trâmites de internação e deslocamento, já que a cirurgia deve ser feita em Florianópolis ainda neste ano.

— Nesses casos, a família com certeza tira das costas um peso, já que envolve a saúde de uma criança — diz o defensor Albert Silva Lima.

O que é o ouvido biônico

Ouvido biônico é o nome popular dado ao implante coclear, que capta os sons e os transmite para o cérebro da mesma forma que um ouvido humano faria normalmente. Ele é indicado para casos mais graves de perda auditiva, em que os aparelhos convencionais não funcionam.

Com uma parte externa e outra interna, ele é implantado através de cirurgia.

Com informações do NSCTotal

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