Educação

Mundo do crack é contado por usuários em Laguna

Foram três meses de oficinas cinematográficas. Hoje, às 20 horas, tem exibição no Cine Mussi.

Foto: Cufa-Laguna/Divulgação

Foto: Cufa-Laguna/Divulgação

A proposta é mostrar uma realidade que ninguém vê. Integrantes da Central Única das Favelas – Cufa de Laguna percorreram várias comunidades do município em busca de histórias de dependentes químicos de crack, uma das drogas mais violentas do mundo.

Os depoimentos foram reunidos em 36 minutos e resultou no documentário “Mundo da Noia – Por Trás da Pedra a Realidade que Ninguém Vê”. O lançamento foi ontem, no Cine Teatro Mussi, no Centro Histórico, e teve entrada gratuita.

O enredo integra a mostra cinematográfica Cine Arte e Cidadania, que irá levantar a bandeira da discussão sobre drogas e a redução da maioridade penal no Brasil.

A expressão noia se tornou um dos apelidos dos dependentes químicos, e serviu de tema para a produção. O jovem membro da Cufa, Rodrigo Lauffer, 21, ficou angustiado ao presenciar, nos meses de gravações, crianças utilizando a droga. “É uma realidade muito dura”, descreveu.

O documentário envolve a problemática do consumo de crack no município, uma reflexão para a sociedade e o poder público. Histórias chocantes sobre mães que tiveram seus filhos assassinados mostram uma das faces obscuras do uso do entorpecente. Os dependentes narram como suas vidas se transformaram com o vício.

A locução apresenta depoimentos de membros de instituições públicas, como a promotoria, Centro de Referência Especializada em Assistência Social – Creas, Centro de Referência em Assistência Social, Conselho Tutelar e agentes.

O crack é preparado a partir da extração de uma substância alcaloíde da planta coca, encontrada na América Central e América do Sul. Chamada benzoilmetilecgonina, esse alcaloíde é retirado das folhas da planta, dando origem a uma pasta: o sulfato de cocaína. Chamada, popularmente, de crack, tal droga é fumada em cachimbos, adaptados de várias formas pelos usuários, a maior parte fuma em latinhas de alumínio.

Hoje, às 20 horas, será exibido o documentário “Zaratustra Ainda Fala”. Foram três meses de oficinas cinematográficas de som, produção, fotografia e arte dentro da Colônia Agrícola de Palhoça, ministradas por Luiz Machado em uma experiência laboral cinematográfica inédita no Brasil, que integrou detentos, alunos e profissionais do cinema e da segurança pública do Estado.

O documentário de longa-metragem, com 58 minutos, foi gravado em dez horas corridas dentro da Colônia Penal Agrícola de Palhoça. Fundamentado por fragmentos do livro clássico “Assim Falou Zaratustra”, de Friedrich Nietzsche. Vale a pena conferir o trabalho da Cufa de Laguna!

Com informações do Jornal Notisul

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