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Santa Catarina tem 10 armas registradas por dia em 2019

Estado concentra a quarta maior procura do país por autorização de posse desde o início do ano.

Foto: Divulgação

Santa Catarina é o quarto Estado do país que mais registrou armas de fogo em posse de pessoas físicas desde o começo do ano. A Polícia Federal deu autorização para 879 catarinenses entre janeiro e março, o que representa uma média de 10 armas novas por dia. Só Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul tiveram armamentos registrados em maior escala. Dados de abril ainda serão atualizados.

O período analisado coincide com a vigência do decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL), assinado em janeiro e que facilitou os critérios para a posse de armas no país. Na semana passada, um novo decreto presidencial ampliou a autorização do porte de arma para um conjunto de profissões, como advogados, caminhoneiros e políticos eleitos.

Considerando o total de registros, Santa Catarina tem ainda mais destaque no cenário nacional: é o terceiro Estado do país com maior número de armas em posse de pessoas físicas — 34,6 mil. Desde 2016, as autorizações de posse concedidas pela Polícia Federal a cidadãos catarinenses passam de 3 mil ao ano.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que os números de Santa Catarina podem ser explicados, em parte, pela influência da colonização europeia, que tem nas armas e clubes de tiro um forte traço cultural. Coronel aposentado do Exército e consultor em segurança pública, Eugênio Moretzsohn destaca que o Estado também tem um histórico recente de conflitos armados.

“Essa “cultura bélica” sempre esteve presente na história do povo catarinense, de muitas refregas ao longo de sua existência, em um passado não tão distante assim” destaca.

Por um lado, Moretzsohn entende que o elevado número de registros em Santa Catarina tem um viés positivo, pois indica que a população tem procurado os meios legais para obter a posse. Mas, por outro, o especialista vê com preocupação o aumento de armas nas mãos de pessoas sem treinamento e capacitação necessários.

“Haverá elevação do número de acidentes, principalmente envolvendo crianças, crimes passionais, feminicídio, furto ou roubo de armas em casa e outras mazelas que seriam menores se o número de armas também fosse” alerta.

Perfil conservador tem peso na procura

Além das raízes culturais, a condição econômica de Santa Catarina e o perfil conservador de parte da população também estão por trás da demanda por armas no Estado. É o que aponta o professor do curso de direito da Univali e mestre em ciência jurídica, Juliano Keller do Valle. Ele destaca que a defesa à propriedade, ao patrimônio e à família são bandeiras comuns no discurso pela regulamentação das armas. Santa Catarina, observa o especialista, foi o Estado com maior percentual de votos em favor do presidente Jair Bolsonaro (PSL), notório apoiador da causa armamentista.

Embora as estatísticas nos últimos dois anos apontem para a redução da criminalidade em SC, o professor lembra que, em anos anteriores, o Estado teve recordes negativos em crimes de homicídio.

“Nos anos anteriores, houve um aumento significativo destas taxas e outros crimes relacionados. São dados que demonstram o interesse do catarinense em se socorrer com o que a lei, hoje, flexibilizou ainda mais, a posse de arma. Tudo isto contribui para a manutenção deste interesse pelo armamento” analisa.

Com informações do site NSC

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