Segurança

Silvana procurou ajuda para fugir

Um conhecido esteve com a mãe de Carol duas vezes no dia do crime, situações que ele relatou aos investigadores.

A morte de Carol Seidler Calegari, de 7 anos, completou quatro meses na última quarta-feira. Neste período, Silvana Seidler, de 48 anos, mãe de Carol, já indiciada pelo homicídio, continua desaparecida.

Uma das últimas pessoas a falar com a acusada, em Tubarão, foi um homem de 37 anos. O comerciante alega ter recebido uma ligação de Silvana no dia do crime. A redação conseguiu conversar com o homem, que preferiu não ser identificado por temer retaliações.

“Ainda não sei porque Silvana me procurou para pedir ajuda. Talvez seja porque no mesmo dia eu a socorri no acidente na BR-101, no Morro do Formigão, quando passei pelo local e a reconheci com as crianças dentro do carro, que colidiu, minutos antes, com um caminhão”, conta.

Ele lembra que naquela manhã, depois de levá-los para casa, no bairro Monte Castelo, foi para a sua residência buscar algumas mercadorias e retornou para seu estabelecimento.

“Naquela noite, acredito que, por volta das 22 horas, após eu e minha esposa percebemos que havia muitas viaturas em rondas na Cidade Azul, percebi que o irmão de Silvana estava próximo de um grupo de policiais militares. Sem saber o que acontecia, atravessei a rua e soube que Carol estava desaparecida. Ao voltar à loja meu celular tocou, era Silvana pedindo minha ajuda”,  revela. “Ela mostrou um ferimento no pescoço”

“Eu preciso da tua ajuda”. Esta foi a frase de Silvana ao telefone, lembra o comerciante. Ela lhe pediu que a buscasse em frente à loja Delupo, perto de seu estabelecimento comercial. “Eu a orientei, sem saber ao certo o que ocorria, para ela vir até meu carro, que estava estacionado em frente à agência do HSBC. Pelo caminho, a encontrei e sem deixar eu fazer qualquer questionamento, me disse para irmos até o veículo. Perguntei o que havia acontecido com Carol e Silvana somente respondeu que a menina não estava legal”, contou o conhecido que, neste momento, ligou o veículo e dirigiu sem destino pela Avenida Marcolino Martins Cabral.

“No trajeto, a questionei inúmeras vezes sobre o que estava acontecendo e, após repetir constantemente que a menina não estava bem, abriu a gola da sua blusa e mostrou um ferimento no pescoço, como se tivesse tentado se enforcar. Fiquei nervoso e sem ação. Não entendi nada. Apenas tinha a certeza de que algo muito grave havia ocorrido. Então ela falou: ‘me esconde, me esconde. Eu vou dar um fim nisto hoje, me esconde’”, relatou o comerciante.

Conforme o site Notisul, ele contou que, para sair daquela situação, disse conhecer alguém que poderia ajudar e falou que precisava de seu aparelho de celular antigo, que estava na loja com os contatos. “Retornei na avenida, parei próximo ao Vagão Lanches, estacionei e pedi para ela me aguardar. Corri em direção à loja, contei à minha esposa e sem Silvana perceber fui até um veículo da Polícia Militar, que estava parado na beira rio. Depois de relatar aos policias, observei que eles foram até Silvana. Minutos depois, ela entrou na viatura. Esta foi a última vez que a vi e falei com ela”, finalizou.

O desaparecimento

A equipe da Divisão de Investigação Criminal – DIC informou na conclusão do inquérito que a mãe de Carol desapareceu na mesma noite do crime, logo após comparecer à Delegacia da Criança, do Adolescente, e de Proteção à Mulher e ao Idoso de Tubarão – Dpcapmi junto com familiares para registrar o boletim de ocorrência do desaparecimento da menina, e nunca mais foi localizada.

O crime

Carol Seidler Calegari, de 7 anos, foi encontrada morta no dia 22 de dezembro do ano passado em sua casa, no bairro Monte Castelo, em Tubarão. Por volta das 23 horas, a menina foi encontrada dentro de uma caixa de papelão coberta com várias roupas, com sinal de esganadura por asfixia, em um cômodo fechado onde morava com a mãe. No lugar não dormia ninguém e havia muitos objetos e roupas espalhados pelo chão.

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