Saúde

Obesidade aumenta 90% entre jovens de 18 e 24 anos em apenas 1 ano

O dado de aumento da obesidade foi constatado através de um estudo chamado Covitel, realizado pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e pela organização global de saúde pública Vital Strategies

Foto: Pixabay

A obesidade entre os jovens brasileiros entre 18 e 24 anos cresceu 90% em apenas um ano. É o que afirma o estudo nacional Covitel, realizado pela Ufpel (Universidade Federal de Pelotas ) e pela organização global de saúde pública Vital Strategies, publicado na última quinta-feira (29).

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A pesquisa revela que o índice de obesidade entre a faixa etária saltou de 9%, em 2022, com 1,56 milhão de jovens, para 17,1%, em 2023, representando 2,97 milhões entre os 18 e 24 anos.

O estudo também aponta outros dados preocupantes relacionados à obesidade. Mais da metade dos brasileiros tem excesso de peso, cerca de 56,8% da população. Na faixa etária entre 45 e 54 anos, a taxa chega a 68,5%.

Além disso, considerou a pessoa obesa através do IMC (Índice de Massa Corporal) maior ou igual a 30. A pesquisa envolveu 9 mil entrevistados de cidades do interior das cinco regiões do Brasil, por telefone, maiores de 18 anos, entre janeiro e abril de 2023.

Vários fatores podem influenciar o aumento desse índice, como demonstra a pesquisa. Entre elas, o baixo consumo de alimentos saudáveis, frutas e verduras; pouco ou nenhum exercício físico; e muito tempo em frente ao celular e à televisão.

De acordo com a nutricionista e professora do curso de nutrição da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Bruna Boaventura, esses fatores aliados a questões emocionais corroboram para o aumento do índice de obesidade entre jovens e adultos.

“É uma doença multifatorial, é muito complexa. Então precisamos considerar aspectos ambientais e emocionais que influenciam. A baixa regulação emocional, como situações de estresse, ansiedade, fazem com que as pessoas busquem prazer através da alimentação”, exemplifica Bruna.

Pandemia também auxiliou no aumento do índice de obesidade
Uma das coordenadoras da pesquisa e gerente sênior de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Vital Strategies, Luciana Vasconcelos Sardinha, revela que o cenário mostrado pelos dados indica que a população brasileira ainda vive os reflexos da pandemia de Covid 19.

“O excesso de peso vem numa tendência de crescimento há muitos anos. Mas estamos saindo de uma pandemia, e essa população que hoje está com 18 anos, há três anos estava em plena adolescência, que é a época em que socialização é super importante, e ficou todo mundo dentro de casa, sem fazer atividade física. A saúde mental também foi super agravada”, declara Luciana.

Bruna também percebe que o período influenciou na elevação da obesidade. Em busca de ajudar lidar com aspectos dietéticos, cognitivos e comportamentais, ela coordenou um programa de extensão da UFSC chamado Nutri.Com, criado em 2020.

“Muitas pessoas estavam ganhando peso e não sabiam como lidar com isso. Focamos no comportamento alimentar, para ajudar as pessoas a lidar com essas questões. Elas estavam em casa o dia inteiro, confinadas, com acesso livre e de forma direta a comida, sem horário para nada, pedindo muito delivery e com um comer noturno exacerbado. Então essa reestruturação foi essencial para o nosso projeto”, conta.

Encontros de forma remota

“Existiram pacientes que ficamos atendendo um ano de forma semenal e depois quinzenalmente porque precisamos ensinar eles a comer. Uma pessoa que está com excesso de peso precisa ter uma reestruturação cognitiva e isso leva tempo. E ele precisa ser frequente e constante, além de ajudarmos o paciente a lidar com os desafios no meio do caminho”, relata Bruna.

Saúde mental abalada

A pesquisa também indica que, entre os jovens, 42,8% relataram não dormir bem. Eles também apresentaram alta incidência de diagnósticos psiquiátricos: 14,1% estão ou estiveram com depressão e 31,6% com ansiedade.

Guilherme Somense Godoy, de 23 anos, notou o seu peso aumentar aos 19 anos. Habituado a fazer exercícios físicos, deixou o seu trabalho na academia por conta de uma nova rotina pesada na faculdade de Tecnologia em Alimentos. No entanto, para ele, a pandemia foi o fator decisivo para chegar ao sobrepeso.

“Todo mundo sabe do período e imagino que eu fui um entre várias pessoas que se tornaram obesas por conta dela. Eu ficava em casa, só comia, não fazia atividade física e assistia filmes. Estava trabalhando home office e sempre comia uma coisinha”, relata.

Na época, ele morava com a avó, em Piracicaba, no interior de São Paulo, e viu sua saúde mental abalada quando faleceu por conta de uma queda.

“Foi tudo muito rápido. Dia 3 de julho daquele ano ela fez aniversário, dia 17 do mesmo mês eu fui demitido e, no dia seguinte, ela morreu. Ali a minha vida mudou. Eu mudei para Rio Claro, em São Paulo, onde tinha os meus amigos. Minha rotina consistia em nos reunirmos e comíamos muita coisa durante a semana, bebíamos também e fui só engordando sem ir atrás de exercícios. Então desde o período que eu parei de trabalhar na academia até o início do ano passado, eu cheguei a pesar 122 kg”, relembra Guilherme.

Superação

Guilherme conta que o início a mudança para uma vida mais saudável ocorreu quando percebeu os reflexos do sobrepeso na saúde.

“Eu sempre gostei do meu corpo, só que quando começa a mexer na saúde eu sabia que precisava mudar. Sentia muitas dores nas costas, nos exames de rotina deu que eu tinha gordura no fígado e a respiração muito ofegante”, reconhece.

O processo contra a obesidade começou juntamente com uma nova fase em sua vida: a mudança para Florianópolis, no ano passado. Aliado a uma orientação médica e exercícios físicos, Guilherme está no processo para o emagrecimento saudável.

“Desenvolvi a ansiedade no ano passado, coisa que nunca nunca tive. E o acompanhamento psicológico foi uma coisa que me ajudou muito e lá era uma coisa que a gente falava bastante, em voltar a praticar exercícios”.

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“Eu sempre amei meu corpo e é uma dica, tem que amar para você poder cuidar. Depois que você começa a aprender a amar o seu corpo você vai querer ver ele melhor. São pequenos passos e temos que ter consciência da situação. Sempre fazer exames de rotina, vai em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) próximo da sua casa, que vai ter todo apoio. O primeiro passo é ir atrás, com calma. Um dia de cada vez”, finaliza.

Com informações da Agência Estado

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