Segurança

“Nós quebramos a espinha dorsal do crime organizado no estado”, garante Raimundo Colombo

Autoridades da Segurança Pública estadual e federal explicaram as ações policiais realizadas para conter a onda de violência que assusta os catarinenses

“Nós quebramos a espinha dorsal do crime organizado em Santa Catarina”, afirmou o governador Raimundo Colombo em coletiva na manhã desse sábado, quando comentou as ações policias realizadas entre a noite de sexta-feira e madrugada de sábado. Foram feitas 25 prisões em diversos pontos do estado. Durante a madrugada, também foi realizada a transferência de 40 presos, vinculados a facções criminosas, para presídios federais. A operação de prisão também indiciou outras 45 pessoas que já estavam presas. Somados, são 70 mandados já efetivados.

Apesar de não confirmar os números de mandados expedidos para prisão, o delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Avila, afirmou que há mandados de prisão para todas os locais que sofreram atentados e disse que as prisões vão continuar no decorrer do dia. Somadas as 71 pessoas que já tinham sido presas e os 22 menores apreendidos, são 118 pessoas detidas desde o início dos ataques, mais de uma por ocorrência, que somam 106 neste sábado.

Dos presos que foram transferidos, 22 saíram do presídio de São Pedro de Alcântara. Porém, detentos de unidades prisionais de São José, Florianópolis, Joinville, Criciúma e Itajaí também foram transferidos. Nos dias que antecederam a ação, o Departamento de Administração Prisional já tinha concentrado nessas unidades detentos de outras regiões do estado para que fossem alvos desta transferência. O avião que levou os presos para as penitenciárias federais decolou de Florianópolis por volta das 10h30min.

Todo o planejamento e estratégia da ação realizada na madrugada de hoje foi mantido em sigilo para garantir a efetividade das operações. Inicialmente planejada para a madrugada de domingo, a ação foi antecipada para o mesmo dia da chegada da Força Nacional. O governador esclareceu que a ação não podia ter sido realizada antes por causa do Carnaval, pelo risco de envolver pessoas inocentes em qualquer ocorrência negativa.

Além das prisões e transferência de presos, há ainda outras quatro frentes de atuação no combate ao crime organizado – Operação Divisa, Serviço de Inteligência, Frente Nacional de Defensores Públicos e a atuação da Força Nacional. Todas as ações seguem em Santa Catarina e as prisões e transferências são apenas o início do trabalho. A data de encerramento da operação não foi anunciada por questões de segurança.

A Operação Divisa é um pente fino que se inicia a partir de hoje em todas as divisas e fronteiras do Estado e vai apertar a circulação das redes da facção criminosa por terra, água e ar. “Vamos trabalhar no asfixiamento financeiro dessas facções”, disse o governador. O Ministério da Justiça também vai ajudar a ampliar o órgão da Receita Estadual que fiscaliza operações de lavagem de dinheiro para ampliar sua capacidade de atuação.

Por fim, chegará ao estado em 30 dias – garantia do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que também participou da coletiva – um grupo da Frente Nacional de Defensores Públicos para avaliar a condição de cada um dos presos do sistema penitenciário catarinense. Eles vão procurar, por exemplo, detentos que já tenham a pena cumprida e continuam presos, ou outras irregularidades para corrigir distorções e evitar que as facções se aproveitem da revolta desses detentos para captá-los para o crime organizado. O Governo estadual também vai agregar advogados pagos com recursos do Estado para buscar uma solução a esse problema que não é só de Santa Catarina, "mas de todo o Brasil", resumiu o ministro.