Segurança

TRF4 manda afastar do cargo prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, preso na Operação Chabu

Determinação é que fique 30 dias fora das funções e não faça contato com demais suspeitos de envolvimento na operação. PF investiga a violação de sigilo de operações policiais

Cristiano Andujar/Divulgação

O Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4) determinou o afastamento de Gean Loureiro (sem partido), um dos sete presos na Operação “Chabu” nesta terça-feira (18), do cargo de prefeito de Florianópolis por 30 dias. A decisão é do desembargador federal Leandro Paulse, que determinou ainda a prisão temporária do político.

O magistrado também proibiu o prefeito de qualquer contato com outros envolvidos na operação, além do recolhimento do passaporte e que Loureiro não saia do estado. O motivo da prisão não foi informado pelo TRF4.

A prefeitura informou que analisa juridicamente como ficará a situação no município.

A “Chabu” foi deflagrada pela Polícia Federal e investiga a violação de sigilo de operações policiais em Santa Catarina.

Lista de presos

Gean Loureiro (sem partido, ex-MDB), prefeito de Florianópolis;

Fernando Caieron, delegado da Polícia Federal, foi preso em Porto Alegre (RS);

Marcelo Roberto Paiva Winter, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), diretor de comunicação do Sindicato dos Policiais Rodoviários de Santa Catarina (SINPRF-SC);

Luciano Veloso Lima, que foi secretário da Casa Civil no governo estadual Eduardo Moreira (MDB);

José Augusto Alves;

Luciano da Cunha Teixeira;

Hélio Sant’Anna e Silva Júnior;

O que dizem os citados

A assessoria da prefeitura disse em nota que o prefeito concordou em prestar todas as informações necessárias à Polícia Federal.

A reportagem não localizou a defesa de Fernando Caieron. A Polícia Federal informou que não vai se manifestar com relação ao citado.

A defesa de Luciano Veloso Lima, Rubens Cabral Faria Junior, disse que o ex-secretário foi pego de surpresa pela operação e prestou depoimento até as 11h30 na Polícia Federal. O advogado ainda diz que prisão “não explicita os delitos e que a é arbitrária porque os fatos são frágeis”.

A assessoria de imprensa do SINPRF-SC disse que irá se manifestar sobre a prisão de Marcelo Roberto Paiva Winter depois de ter acesso aos autos. A PRF afirmou que ficou sabendo da operação nesta manhã e que a Corregedoria da instituição busca informações junto à PF para se manifestar.

Em nota, a empresa Grupo Nexxera disse que “não sabe do que se trata essa operação, pois é uma fase de investigação e provas. Estamos confortáveis e vamos contribuir com o que for preciso com as autoridades”.

Não foi localizada a defesa de José Augusto Alves, Luciano da Cunha Teixeira e Hélio Sant’Anna e Silva Júnior.

Operação Chabu

A Polícia Federal apurou, após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, em agosto de 2018, que o grupo suspeito construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários, e servidores da PF e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) lotados em órgão de inteligência e investigação, com o objetivo de embaraçar investigações em curso e proteger o núcleo político em troca de benesses financeiras e políticas.

“Durante as investigações foram apuradas práticas ilícitas, dentre as quais envolve o vazamento de informações a respeito de operações policiais a serem deflagradas até o contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar ‘salas seguras’ à prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas”, informou a PF.

Ainda segundo a polícia, as investigações apontam os crimes de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

O nome “Chabu” significa dar problema, dar errado, falha no sistema, usado comumente em festas juninas quando falham fogos de artifício. Conforme a PF, o termo era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a ocorrer.

Com informações do G1 SC

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