O jogo da “Baleia Azul”

Jogo da Baleia Azul

Foto: Divulgação

Desde o seu advento, reconhecemos que a internet é uma ferramenta fantástica ao nos colocar em sintonia com o mundo em tempo real, mas há que se estabelecer parâmetros, limite, horários para seu uso, pois, ao invés de facilitar a vida das pessoas, está se tornando, devido o uso indiscriminado, uma grande ameaça à vida das crianças, jovens e adultos, colocando em risco a estrutura da família.

E neste cenário, jovens e adolescentes têm buscado no mundo virtual respostas para seus conflitos e angústias reais, talvez pela ausência dos pais em função da rotina acelerada da vida moderna e também pelos conflitos próprios da mudança de fase na vida. E neste contexto conturbado depara-se com um jogo sinistro e desafiante: o jogo da “Baleia Azul”.

Esse jogo surgiu na Rússia há poucos anos. Parecia uma realidade muito distante de nós, mas os últimos acontecimentos dão-nos conta de que o mal já está entre nossos jovens e adolescentes, e é preciso que pais, educadores e autoridades assumam a responsabilidade de educar para o bom uso da internet que aos poucos está se transformando numa arma poderosa contra a humanidade.

O jogo Baleia Azul foi idealizado por pessoas com perfil psicopata, pois têm prazer na dor do outro. Buscam nas redes sociais adolescentes que demonstram vulnerabilidade emocional em suas postagens, seduzindo-os a participar do jogo composto de cinquenta desafios, postados diariamente na madrugada (sempre às 4h20min – horário em que acontece o maior número de suicídios), começando com tarefas simples até envolvê-los totalmente, para então propor desafios macabros, desde o enfrentamento aos pais, a automutilação até a etapa final: o suicídio.

Vale lembrar que outros jogos com esse tipo de apelo já existem nas redes sociais, como o jogo da asfixia, o desafio do sal e gelo, o jogo da fada, mas na medida em que o tempo passa novos desafios vão ganhando corpo e tiram a tranquilidade da família e a segurança de nossos jovens e adolescentes. A evolução tecnológica se encarrega disso. É preciso que pais e educadores se unam nesta guerra para preservação do bem estar de nosso maior patrimônio: a família. Isso não significa andar na contramão da tecnologia, mas buscar a conscientização para o seu uso racional, fazendo com que a máquina não se sobreponha à vida dos nossos jovens para que tenham qualidade de vida.

Talvez em nenhum momento de nossas vidas o diálogo entre pais e filhos foi tão importante, pois a luta do dia a dia fez com que pais e filhos se afastassem, criando entre eles uma barreira que acaba sendo preenchida pelas facilidades do mundo tecnológico, a fim de esconder a solidão que existe num mundo tão próximo e tão distante ao mesmo tempo. Filhos trancam-se nos quartos sofrendo, pais isolam-se em suas preocupações, traçam planos, buscam mais a cada dia, mas esquecem do seu maior tesouro. Num mundo tão cheio de inovações, cores, opções, diversões, a solidão é presença constante. Falta toque, falta contato, falta olho no olho, falta o amor na sua forma mais simples e insubstituível.

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