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Desassoreamento do Rio Urussanga: uma novela sem prazo para acabar

Cada chuva mais forte é motivo de angústia para milhares de pessoas que vivem ou trabalham às margens do Rio Urussanga.

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Cada chuva mais forte é motivo de angústia para milhares de pessoas que vivem ou trabalham às margens do Rio Urussanga. Devido ao assoreamento, ou seja, ao acúmulo de sedimentos pelo depósito de terra, areia, argila, e outros detritos, são constantes as enchentes, que acabam deixando um rastro de destruição e prejuízos.

Uma das regiões mais atingidas é Morro da Fumaça. Inserida totalmente dentro da Bacia do Rio Urussanga, a cidade já se acostumou a registrar casos de enchentes. “Tem gente que fechou olaria por causa disso. Depois de perder mais de R$ 200 mil em uma chuva. É muito grave. Tenho a olaria desde 1977 e dificilmente vinha água. Agora quando chove, vem com tudo”, relata o empresário Luiz Frasson.

A olaria de Frasson está a cerca de 1 quilômetro de distância do rio. Mesmo assim, acaba sendo atingido intensamente pelas chuvas. “Enche fácil [de água]. Qualquer enchente, sobe até um metro. Os motores enferrujam. Já tivemos carros de empregados embaixo d’água. E é geral. Em todo lugar aqui acontece isso. Precisamos levantar os barracos em uns 60 centímetros, o que vai custar mais de R$ 400 mil”, revela.

Reflexos da poluição

O Rio Urussanga e seus afluentes têm sofrido os impactos da poluição já há algumas décadas, e nos dias atuais suas águas são impróprias para consumo, lazer, uso terapêutico e abastecimento da agricultura irrigada. Ao longo do rio, por muito tempo, foram lançados rejeitos piritosos, além da prática da mineração de carvão, fluorita e argila.

A extração de areia do solo e subsolo também era uma ação comum, o que acabou por gerar o assoreamento da calha do rio, resultando em inundações e enchentes nas comunidades dos entornos, além da água ácida que escoa para lagos próximos e impossibilita a criação de peixes ou o seu uso para atividades recreativas. “O rio Urussanga, desde as nascentes, em Urussanga, até sua foz na Barra do Torneiro, divisa de Jaguaruna e Balneário Rincão, possui bancos de sedimentos ao longo seu leito, que em período de estiagem, ficam expostos, trazendo a luz a condição do seu assoreamento, principalmente nos municípios localizados mais próximos da sua foz onde se torna mais caudaloso. Com essa elevação do fundo da calha, que conhecemos por assoreamento no rio, em período de chuvas intensas, ocasiona o seu transbordamento provocando inundações e consequentemente prejuízos nas partes mais baixas próximas aos rios, afetando a muitos, mas mais precisamente a população em Morro da Fumaça e parte de Içara. Infelizmente esses sedimentos chegam até ao rio, em função de desbarrancamento de terra, decorrentes de fenômenos naturais e mas principalmente das ações humanas”, explica o engenheiro-agrônomo da Epagri em Criciúma, e secretário Executivo do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Urussanga, Fernando Damian Preve Filho.

Para os municípios que estão mais inseridos na bacia, as consequências são mais graves. “Está inundando com mais facilidade. Torna as áreas nas margens dele improdutivas. Atrapalha o desenvolvimento da agricultura, como o arroz, atividades industriais como as cerâmicas que sofrem com severas inundações. A questão da extração mineral também vem sendo atrapalhada pelas recorrentes indicações. As ocupações da margem são prejudicadas, além dos problemas ambientais. A vegetação não consegue desenvolver. A gente planta a vegetação e ela morre pelo excesso de agua. E a questão do risco às vidas. Pessoas que perdem tudo em enchentes. É um problema social, ambiental e econômico muito grande aqui na nossa região”, analisa o diretor superintendente da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Morro da Fumaça (Fumaf), Natan de Souza.

Com informações do site TNSul

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